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Eric Schmidt, do Google: será o fim da imagem “do bem” da empresa?
São Paulo - "Busque a web usando o Google!” A frase, do tempo em que a ideia de buscar conteúdo na rede era algo que ainda precisava de explicação, foi uma das primeiras a estampar a página inicial do Google. Lançado em fins de 1998, o site pode não ter sido pioneiro entre os buscadores da web.
Mas foi de longe o que melhor se saiu na missão de dar sentido ao colosso de informações da rede. Entre as razões para o sucesso, destaca-se o algoritmo criado para classificar os resultados das pesquisas, que tornou as buscas na web mais precisas. Além de garantir o êxito do negócio, o invento serviu para criar a imagem de empresa “do bem”.
No Google, pela primeira vez a hierarquia dos resultados seguia a popularidade estabelecida na própria rede — contabilizando, por exemplo, os links que os sites criam entre si. Nada poderia servir melhor os usuários de internet, defendiam os fundadores, Larry Page e Sergey Brin. “Não seja do mal”, dizia a famosa máxima da companhia.
Uma onda recente de suspeitas, porém, tem colocado esse bom-mocismo em xeque. Nos últimos anos, o Google tomou a decisão de diversificar seus negócios. Exemplos disso são o Google+, rede social lançada em junho de 2011, e o Google Shopping, comparador de preços do comércio eletrônico.
Até aqui, nenhum problema. A grande questão é que a empresa, que fez fama justamente por listar, de forma decrescente, os conteúdos mais relevantes sobre determinado tema, é acusada em várias partes do mundo de favorecer os próprios sites. Ou seja, o Google, segundo seus acusadores, estaria furando a fila dos resultados de seu sistema de buscas.
Um dos eventos mais notórios ocorreu em setembro. Diante de reclamações de várias empresas, o Google foi convocado a se explicar ao comitê antitruste do Senado americano. Há hoje casos parecidos sob investigação na Europa.
No Brasil, uma representação semelhante foi protocolada em dezembro pelo BuscaPé, líder em comparação de preços no país, na Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (o pleito aguarda decisão sobre instauração de processo).
As queixas têm algumas variações entre si, mas, na maioria dos casos, o argumento de defesa do Google é mais ou menos o mesmo: a concorrência está a “um clique de distância”. “A grande questão da internet é que, se usuários não gostam de nossos serviços, eles podem facilmente passar para outro site”, disse Eric Schmidt, presidente do conselho do Google, em audiência no Senado americano.
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