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São Paulo - A abertura de capital de uma empresa é sempre um momento de alegria incontida — basta ver aquelas tradicionais fotos dos fundadores abrindo o pregão, sorrisão no rosto, sob uma chuva de papel picado. Trata-se de um rito de passagem, em que a companhia recebe o selo de aprovação do mercado e inicia o que todos esperam ser uma nova trajetória de expansão.
Com o UOL, maior empresa de internet do Brasil, não foi diferente. Em 16 de dezembro de 2005, quando a companhia listou suas ações na Bovespa, reinava um clima de festa. As ações da empresa subiram 16% no dia da estreia na bolsa. Infelizmente, para o UOL e para quem apostou na empresa naquele dia, houve poucos motivos para celebrar nos anos seguintes.
As ações da empresa teimaram em não andar para a frente — passaram a maior parte do tempo abaixo do preço do dia da abertura de capital. Em julho do ano passado, a Folhapar, controladora do UOL, lançou uma oferta para comprar todas as ações em circulação no mercado. Em janeiro, a empresa fechou seu capital e deu adeus à Bovespa. Não houve chuva de papel picado.
Por motivos intrínsecos à sua natureza, uma operação de fechamento de capital é cercada de certo mistério. Quando uma empresa vai à bolsa, é obrigada pelos reguladores a ser o mais transparente possível sobre seu negócio. Como o interesse, nesse caso, é atrair investidores para uma história de sucesso, as empresas abrem seus resultados, enumeram seus planos de crescimento, sua estratégia para o futuro: a essência da abertura de capital é compartilhar com outros acionistas o que virá à frente.
Com o fechamento de capital, acontece o exato oposto. A ideia é justamente convencer os minoritários a vender suas ações — e, como o controlador que faz a oferta vê grande potencial de ganho com a operação, a melhor estratégia para que o negócio saia é manter o bico calado e fazer valer a tese de que o dinheiro posto na mesa é suficiente.
No caso do UOL, a transação ocorreu como manda o figurino. Os investidores, após a resistência inicial, aceitaram o preço proposto. E não ficou claro, até hoje, qual é o plano da Folhapar para o UOL daqui para a frente, nem os motivos que a levaram a tirar suas ações da bolsa.
Segundo EXAME apurou, pode-se dizer que seus planos são repletos de ambição — não se descarta, inclusive, a volta à bolsa. Procurado, o diretor-geral do UOL, Marcelo Epstejn, não quis dar entrevista.
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