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China | 08/02/2012 05:55

Os pessimistas contra o dragão chinês

A China vem carregando a economia mundial nas costas — mas há gente apostando que tudo vai dar errado

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Imagine China/Latinstock

Construção na China

Construção na China: Dubai multiplicada por mil?

São Paulo - O investidor americano Jim Chanos é um especialista na arte de encontrar problemas onde reina o oba-oba. Gestor de um fundo de 6,5 bilhões de dólares, Chanos é o mais famoso “urso” do mercado americano — apelido dado aos investidores que apostam contra empresas que julgam problemáticas.

Sua fama foi catapultada em 2001, quando apostou pesado na queda das ações da companhia de energia Enron. Muito antes da divulgação de que os balanços da empresa eram tão verdadeiros quanto uma nota de 3 dólares, Chanos fez as contas e viu que nada, ali, parava em pé. À época, as ações valiam 90 dólares.

O resultado da história é conhecido: a cúpula da Enron foi parar na prisão, as ações caí­ram para 1 dólar e Chanos ficou ainda mais rico do que já era. Se encontrar problemas em companhias é sua especialidade, de uns tempos para cá ele decidiu inovar.

Uma década depois de faturar com o ocaso da Enron, ele aposta, agora, contra um país inteiro: a China, que, com seu incrível crescimento econômico, vem ajudando a impulsionar ações de empresas do mundo inteiro, sobretudo no Brasil.

Areia movediça

Como sempre acontece com investidores do contra, Chanos não economiza adjetivos e advérbios ao descrever o que identifica como indícios de que a China é um castelo de cartas prestes a desmoronar. Para ele, o país que vem carregando a economia mundial nas costas não passa de uma “Dubai multiplicada por mil”. Seu alvo principal é o sistema bancário chinês.

“Ele está construído em areia movediça. Os bancos deviam agradecer à Itália e à Grécia por tirar a atenção de cima deles”, disse recentemente. Uma de suas apostas são as ações do Agricultural Bank of China, um dos maiores do país.

Segundo Chanos, a instituição mantém no balanço papéis podres remanescentes de crises bancárias ocorridas desde o fim da década de 90 que somam o equivalente a 120% de seu valor contábil. Sua estratégia tem sido encorajada pelo desempenho da bolsa chinesa.

Em 12 meses, enquanto o principal índice de ações do mercado americano subiu minguados 2%, o da bolsa de Xangai caiu 13%, e o índice de instituições financeiras chinesas do país, 14%. Mesmo com o espantoso crescimento econômico dos últimos anos, portanto, a bolsa chinesa está longe de ser um bom lugar para investir.

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