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Fábrica da Souza Cruz: apesar da campanha negativa, uma estrela na bolsa
São Paulo - Poucos produtos são tão marginalizados quanto o cigarro. A propaganda, como se sabe, é proibida. A maioria dos países baniu os fumantes de quase todos os ambientes fechados — nos Estados Unidos, é proibido fumar em parques públicos e, em alguns estados, até dentro do carro.
Mesmo na rua, dar uma baforada pega mal: logo aparece a figura espectral do doutor Drauzio Varella na consciência do fumante lembrando que ele está se matando a cada tragada.
Pois é no mínimo curioso que a maior fabricante de cigarros do Brasil seja uma das maiores estrelas da Bovespa nos últimos dez anos — justamente o período em que o produto se consolidou como uma espécie de belzebu no imaginário popular.
Os papéis da Souza Cruz valorizaram 1 775%, cinco vezes mais que o Índice Bovespa nos últimos dez anos. Foi uma das maiores altas do país, superior à das ações de empresas como Ambev, Gerdau, Itaú Unibanco e até Vale.
No mundo, há milhares de investidores que ganham dinheiro aplicando em ações de empresas “politicamente incorretas” — como as fabricantes de armas, bebidas e jogos. São companhias que têm faturado cada vez mais porque a demanda por seus produtos aumenta ano a ano. Esse não é o caso das empresas de tabaco.
As campanhas de conscientização conseguiram diminuir o número de fumantes, e a concorrência de fabricantes ilegais, que não pagam impostos e, por isso, conseguem vender bem mais barato, só se torna mais agressiva.
A Souza Cruz vendeu 53 bilhões de cigarros em 2011, 10% menos que em 2006 — uma retração num período em que o PIB brasileiro cresceu 28% e a renda média da população teve uma expansão de 17%. A questão é: como uma empresa assim vai tão bem na bolsa?
Aumento de preços
Uma vantagem da Souza Cruz — e da maioria das fabricantes de cigarro — é a facilidade para aumentar preços. “A demanda não costuma cair quando os preços sobem, porque fumar é um vício e o valor de um maço de cigarro é baixo, ou seja, as pessoas geralmente não sentem tanto a alta”, diz Marcelo Varejão, analista da corretora Socopa.
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