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Enrique Bañuelos, investidor espanhol: seus ambiciosos planos iniciais não saíram do papel
São Paulo - Quando chegou ao brasil, no fim de 2008, o investidor espanhol Enrique Bañuelos fazia questão de deixar claro que sua ambição era se tornar um dos maiores empresários do país.
Polêmico e ousado, visto com certo pé atrás em razão de suas desventuras no mercado imobiliário espanhol, Bañuelos declarava com uma naturalidade pouco comum para um iniciante em terras novas que pretendia assumir a liderança do competitivo mercado brasileiro de incorporação imobiliária — para depois partir para a conquista de outros setores.
Em seus planos estavam a construção de mais de 5 000 quartos de hotéis, a criação de uma empresa para dominar o setor de agronegócio e diversos outros empreendimentos em áreas como alimentação, energia, turismo, saúde, beleza, moda e, ufa!, lazer.
Com uma fortuna de 2 bilhões de dólares na época e bom de lábia, Bañuelos parecia realmente convencido de que estava destinado a brilhar no Brasil. Desde sua chegada, no entanto, pouca coisa correu como o planejado.
O espanhol comprou, criou e vendeu empresas, ganhou e perdeu dinheiro, fez amigos (poucos) e desafetos (muitos). Mas não conseguiu montar o império que pretendia. Agora, depois de um sério revés, sua aventura brasileira pode estar perto do fim.
Segundo EXAME apurou, em janeiro Bañuelos reduziu dramaticamente as operações da Veremonte, a holding que cuida de seus negócios no país. A empresa não terá mais um presidente, cargo até então ocupado pelo executivo Marcelo Paracchini, nem uma equipe para buscar novos negócios.
O suntuoso escritório que ocupava um andar no edifício Plaza Iguatemi, na avenida Faria Lima, um dos mais caros da capital paulista, foi trocado por um prédio bem mais simples a alguns quilômetros dali. Apenas um time para administrar os negócios que Bañuelos ainda tem no país foi mantido.
A diminuição da Veremonte fez surgir comentários de que o espanhol estaria prestes a deixar o Brasil. Apesar disso, Bañuelos nega que tenha jogado a toalha. Afirma que Paracchini continuará buscando novas oportunidades para ele, mas agora com uma empresa própria, a Plata Capital. Ainda segundo Bañuelos, seu grupo anunciará no primeiro semestre deste ano um novo negócio bilionário — mais calejado e mostrando seu lado prudente, desta vez ele não diz em que setor.
A decisão de reduzir o tamanho da Veremonte foi tomada depois que Bañuelos perdeu uma queda de braço na Vanguarda Agro, maior produtora brasileira de grãos dentre as companhias do setor listadas na Bovespa. Bañuelos dizia que pretendia transformar a Vanguarda, resultado da fusão entre a Maeda, a Brasil Ecodiesel e a antiga Vanguarda Brasil, em uma líder mundial do setor.
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