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São Paulo - O último ano foi especialmente complicado para os bancos médios. Com o aumento da concorrência com os grandes grupos financeiros e a escassez de recursos para financiar suas atividades, muitos deles tiveram de buscar sócios ou se reestruturar para continuar minimamente competitivos.
Os mais prejudicados têm sido os que concedem crédito consignado e empréstimos a pequenas e médias empresas. Basta conversar com um executivo de um desses bancos para ouvir o mesmo chororô: a competição está grande demais, a inadimplência cresceu e o investimento foi exagerado.
Mas uma análise um pouco mais abrangente do desempenho dos bancos médios mostra que a coisa também ficou feia mesmo para quem opera em nichos totalmente diferentes.
O resultado do Fator, tradicional instituição paulista dedicada a clientes de alta renda e à assessoria a empresas, é uma prova disso: após nove anos de lucro, o banco teve um prejuízo de 10 milhões de reais em 2011. Nem em 2008, o ano do pânico absoluto no mercado financeiro mundial, o Fator teve um resultado tão ruim.
O que aconteceu? Em 2011, a tradicional corretora do Fator, fundada em 1967, tornou-se um ralo de dinheiro. No total, seu prejuízo chegou a 19 milhões de reais no ano. Em parte, as perdas se devem ao desempenho sofrível da bolsa de valores no ano passado, que afugentou quase 30 000 pequenos investidores dos pregões e prejudicou os resultados de dezenas de corretoras.
Só que, no caso do Fator, os problemas gerais se somaram aos problemas particulares. Na visão dos concorrentes, o banco cometeu um pecado capital: em vez de fortalecer o home broker (sistema de negociação de ações pela internet) e incentivar os pequenos investidores a comprar e vender papéis ali, o Fator continuou a destacar gerentes para atender quase todo mundo.
Isso, vale dizer, na contramão de todo o mercado, que investiu pesado no home broker — que custa muito menos que o time de gerentões à moda antiga. Executivos do banco dizem que essa área é a “menina dos olhos” de Walter Appel, controlador da instituição, que por muito tempo teria resistido à ideia de acabar com o atendimento personalizado.
Mas Appel acabou cedendo. Desde o fim do ano, quem tem menos de 500 000 reais aplicados conta apenas com o home broker. O Fator demitiu 93 funcionários da corretora, quase 40% do total, e fechou as filiais em Belo Horizonte e Curitiba, que davam prejuízos de cerca de 700 000 reais por mês. “A corretora é nosso principal negócio”, diz Venilton Tadini, presidente do Fator há cinco meses. “Não podemos seguir perdendo dinheiro ali.”
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Giovana Gaspari Dalindo
Trabalho em uma corretora que mantém relações com a seguradora do Fator, e por experiência própria, posso...
31.01.2012 | Ler comentário completo |