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São Paulo - Sabe-se, desde há muito, que os brasileiros adoram o bom e velho concurso público. Calcula-se que nada menos que 10 milhões de pessoas estejam se preparando para fazer um dos milhares de concursos programados para 2012.
O objetivo, claro, é garantir emprego para a vida toda, aposentadoria pública e, de preferência, uma vida mais distante das crescentes pressões corporativas. Se o brasileiro médio sonha com esse jeito concursado de ser, como pensam nossos executivos? As consultorias de recursos humanos DMRH e Nextview foram a campo para responder a essa pergunta.
Os pesquisadores ouviram 5 300 executivos das maiores empresas do Brasil — de todas as faixas etárias — para levantar quais são as empresas de seus “sonhos”. Pois a pesquisa, obtida com exclusividade por EXAME, mostra que o executivo nacional é, digamos, um brasileiro como outro qualquer. A empresa dos “sonhos”, para a maioria deles, é a estatal Petrobras.
Eis, resumidamente, a carreira que nossos executivos querem ter. Primeiro, é preciso estudar um bocado para passar em concursos públicos que chegam a ter 1 000 candidatos para cada vaga. Quem passa no concurso fica 8 horas por dia, durante até um ano, em treinamento sobre temas como geologia, dinâmica dos solos e extração de petróleo.
O passo seguinte é ir a campo, o que significa, em alguns casos, vestir um macacão alaranjado e passar semanas em alto-mar. Se tudo der certo, vem o convite para assumir um cargo executivo. Primeiro de coordenador, depois gerente, gerente executivo, diretor, presidente — no caminho, não custa lembrar que ter um bom padrinho no partido do governo será fundamental.
Durante as décadas necessárias para subir essa escada, ele não ganhará nem um centavo sequer em bônus por desempenho. Mesmo assim, a Petrobras ficou à frente de empresas como Google, Vale e Natura.
Uma análise dos motivos de escolha ajuda a entender essa preferência. Para os executivos brasileiros, o mais importante numa companhia é ter marcas e produtos reconhecidos. Depois, a possibilidade de aprendizado contínuo e de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Dinheiro — pasme — não aparece entre as prioridades.
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