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Daniel Annenberg, coordenador do Detran de São Paulo
São Paulo - Em 1996, um ano após assumir o cargo, o então governador de São Paulo Mário Covas decidiu reunir serviços públicos em um único local para economizar o tempo do cidadão. Funções como a emissão das carteiras de identidade e de trabalho foram concentradas em um prédio no centro da capital paulista, onde passaram a ser executadas sem complicação.
Cerca de 400 serviços, antes prestados por 15 repartições, passaram a ser oferecidos ali. À frente do projeto, batizado de Poupatempo, estava o cientista social Daniel Annenberg. De lá para cá, a experiência foi expandida para 30 postos fixos e algumas unidades móveis que circulam pelo estado.
O Poupatempo tornou-se referência ao reduzir, por exemplo, o tempo de emissão de uma carteira de identidade de 15 para um dia. É o básico, mas fez uma diferença incrível num país onde o cidadão comum é tratado de maneira quase indigente pela maioria dos órgãos públicos.
Em março do ano passado, Annenberg foi chamado pelo secretário estadual do Planejamento, Julio Semeghini. “Daniel, tenho aqui uma bomba para você desarmar”, disse Semeghini. Era um convite de trabalho.
Depois de quase cinco anos em uma consultoria de gestão pública, Annenberg voltaria ao governo com a missão de reinventar o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran) nos moldes do Poupatempo.
Semeghini não exagerou ao classificar o Detran. Ao longo das últimas décadas, o departamento se tornou um dos maiores símbolos de ineficiência, burocracia e corrupção. É um templo de culto à filosofia do “criar dificuldades para vender facilidades”.
Estima-se que o esquema de achaques à população — ainda não totalmente desarmado — movimentasse mais de 5 bilhões de reais anuais, valor equivalente a 2,5 vezes o orçamento oficial. “O Detran tem dez vezes mais complicações que o Poupatempo, um projeto iniciado do zero”, diz Annenberg. “Mas vamos mudar isso.”
O esquema ilegal funciona com base em informação privilegiada. Em conluio com funcionários do Detran, despachantes e autoescolas obtinham os dados de 19 milhões de usuários e atuavam para vender “serviços” a eles.
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