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Economia | 28/12/2011 08:00

O tamanho da ambição do Brasil

Em um ano que nasce sob o espectro da crise, os emergentes surgem como tábua de salvação. É hora de o Brasil se impor

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Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff

Dilma Rousseff: o desafio será ir além da agenda do curto prazo

São Paulo - Nos últimos meses, com a crise da Grécia tomando proporções épicas, a Europa passou a monopolizar o noticiário econômico global. Com todos os olhos voltados para a operação de salvamento do euro, poucos tiveram tempo para se deter na mais importante resolução saída de Bruxelas, pelo menos no que tange ao Brasil e ao espírito dos tempos atuais.

A partir de 2014, decidiu a Comissão Europeia, será cortada toda ajuda às nações emergentes mais parrudas, em especial China, Índia e Brasil. A decisão, claro, foi premida pelo estado de ânimo dos europeus, cada vez mais às voltas com problemas típicos do Brasil dos anos 80. Mas é também o reconhecimento de que há personagens novos no centro da cena.

No ano que se inicia, o mundo rico dificilmente escapará de uma dose de sofrimento. A novidade é que, pela primeira vez, somos não parte do problema — mas da eventual solução.

Para o Brasil, 2012 será o ano em que afirmaremos o tamanho de nossa ambição. O governo da presidente Dilma Rousseff passou seu primeiro ano administrando uma dura volta à realidade. O mundo cor-de-rosa em que crescíamos quase 8% ficou pelo caminho.

A presidente recebeu uma herança pesada (ou seria maldita?) de seu antecessor — no front econômico, a ameaça inflacionária voltou a preocupar; no político, a sucessão de escândalos que já ceifaram seis ministros quase paralisou a vida em Brasília.

Já sem o constrangimento de ter de agradar ao presidente mais popular da história recente, Dilma terá a oportunidade, agora, de impor sua marca. Será a de quem enfrenta os desafios de fundo de nossa economia — ou a de quem se limita a adotar  medidas de curto prazo para atenuar os efeitos da crise externa, como fizemos em 2008?

 

Nesse confronto entre tática e estratégia, escolhas terão de ser feitas. Medidas protecionistas, como a adotada na defesa da indústria automobilística em setembro, podem ajudar o caixa de algumas empresas — em detrimento do ambiente competitivo necessário para manter uma economia saudável.

Em meados de dezembro, o governo brasileiro liderou uma contraofensiva para abortar, na reunião da Organização Mundial do Comércio, em Genebra, uma iniciativa de não adoção de medidas protecionistas proposta pela Austrália. Na prática, o Brasil foi para a linha de frente dos que defendem o uso de barreiras ao comércio como forma de enfrentar a crise global.

Se for uma mostra do que virá em 2012, é mau sinal. Temos uma longa — longuíssima — tradição protecionista, que nos legou segmentos inteiros da economia que viviam de drenar recursos do mercado consumidor. Foi só com a abertura dos anos 90 que o Brasil moderno se impôs.

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