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Laboratório da Amyris: os processos manuais estão sendo substituídos pela automatização
Emeryville - Uma distância de 10 300 quilômetros separa a sede da empresa de biotecnologia Amyris, no Vale do Silício, de seus laboratórios em Campinas, no interior de São Paulo.
Em Emeryville, cidade na região de São Francisco, os cientistas da companhia desenham as alterações na levedura que consomem açúcar e produzem farneseno, uma molécula que pode ser transformada nos mais variados produtos, de óleo diesel e combustível vegetal para aviação a uma borracha sintética que pode ser usada em pneus.
As possibilidades de alterações ou mutações na estrutura genética da levedura são virtualmente infinitas, portanto não falta trabalho nos laboratórios da empresa: a busca por uma variedade que obtenha a maior quantidade possível de farneseno com a menor dieta de glucose é incansável.
Depois dos primeiros testes feitos na Califórnia, as candidatas mais bem-sucedidas são enviadas ao Brasil, onde acontecem provas em volumes maiores — nem sempre os resultados são os mesmos quando há mudanças na quantidade de açúcar processada.
Como não há como encurtar a distância entre as duas operações da empresa nem acelerar o processo de testes, a Amyris decidiu mudar a maneira como é feita a descoberta das novas variantes da levedura Saccharamyces cerevisiae.
O resultado é uma espécie de fábrica biotecnológica, um sistema em que computadores e robôs fazem boa parte do trabalho que antes era realizado por humanos. Como diz Joel Cherry, vice-presidente de pesquisa da Amyris, “é algo muito parecido com o que Henry Ford fez com a produção de carros”.
Apesar da sofisticação e da aura high-tech de uma empresa de biotecnologia, o processo de criar novas variedades de um organismo geneticamente modificado envolve muitas tarefas manuais. Os modelos são gerados em computador, mas o que se segue é um trabalhoso processo de preparação das variedades de levedura.
Em salas imensas, fileiras de bancadas são ocupadas por técnicos de avental branco que meticulosamente pingam gotículas de uma enzima em placas com dezenas de pequenos recipientes contendo a levedura da Amyris. Depois disso, a mudança na performance da levedura tem de ser medida, e só então começam os testes em volumes maiores.
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