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São Paulo - Haroldo Lima, diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre 2005 e dezembro deste ano, é um nacionalista de carteirinha. Filiado ao Partido Comunista do Brasil, dedicou a maior parte dos sete anos em que esteve à frente da agência a temas mais políticos do que técnicos.
Na manhã de 8 de novembro, uma terça-feira, Lima abriu um evento sobre gás no Rio de Janeiro com o mesmo espírito. Convidado para falar sobre o papel de novos operadores no setor, fez um discurso em que defendeu a importância de o Brasil manter a soberania do pré-sal.
Enquanto Lima fazia a defesa do “petróleo é nosso”, técnicos da agência tentavam entender o que ocorria no campo de Frade, a 120 quilômetros da costa fluminense. Na véspera, a americana Chevron, que controla as operações, notificara problemas técnicos. Naquela terça-feira, a Petrobras, que é sócia na exploração do campo de Frade, identificara uma mancha de óleo na região.
Na manhã de quarta, 9 de novembro, não havia dúvida: o petróleo escapava por uma fenda no fundo do mar aberta pela Chevron. Nos dias que se seguiram, ficou claro que o país precisa mesmo se preocupar com o tema da soberania — não a do petróleo, como quer Lima, mas a soberania da ANP para exercer suas funções.
A agência demorou uma semana para divulgar detalhes do acidente. As primeiras informações sobre as razões do vazamento, o tamanho da mancha de óleo e os impactos ambientais foram contraditórias e questionadas por ambientalistas, que chegaram a levantar dúvidas sobre a transparência das investigações.
“Os problemas com a Chevron foram escamoteados pela ANP”, diz a deputada estadual Aspásia Camargo (PV-RJ). “Ela é uma agência reguladora que não regula nada.”
Quem se empenhou no começo para esclarecer as dúvidas foram os policiais da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal. Sem entenderem nada de petróleo, tomaram a iniciativa em 11 de novembro de ir ao campo de Frade para ver de perto o que ocorria e divulgar as primeiras imagens da mancha de óleo.
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