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São Paulo - No início dos anos 70, a agricultura no cerrado era quase uma utopia. A terra era fraca e o clima, quente e de chuva escassa, não ajudava. Nem estradas de verdade existiam para ligar o Centro-Oeste ao restante do país.
Naquela época, os produtores rurais menosprezavam a região: “Cerrado, só dado ou herdado”. Quatro décadas depois, o cerrado brasileiro se transformou num dos maiores centros de produção de grãos do mundo. A revolução no campo brasileiro foi fruto de tecnologia — sobretudo o desenvolvimento de sementes adaptadas ao clima tropical feito pela Embrapa —, mas também de injeção de capital.
Desde então, o Brasil quintuplicou o número de tratores nas lavouras, passando de 165 000 para mais de 800 000 máquinas. O resultado é que a produtividade da agricultura brasileira cresceu à impressionante média de 3% ao ano durante quase 40 anos. O salto do setor, porém, ainda é um exemplo praticamente isolado.
No caso da indústria, a produtividade do capital investido caiu drasticamente no começo dos anos 80, e desde então permanece empacada. Isso significa que o setor não tem conseguido elevar o rendimento das máquinas em operação nas fábricas.
“O Brasil tem um parque industrial ineficiente, resultado da baixa produtividade”, diz Eustáquio José Reis, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Produtividade é um daqueles conceitos que está no rol de metas que todas as empresas perseguem. É a capacidade de fazer mais com os recursos disponíveis. Essa equação é composta de dois insumos básicos: a mão de obra e o capital. Quando os dois fatores são bem utilizados, tornam todo o tecido econômico mais eficiente.
No Brasil, tem ocorrido o contrário. A perversa combinação de trabalhadores mal qualificados com o baixo rendimento do parque fabril resulta em estagnação da produtividade da economia nas últimas três décadas. Ou seja, em vez de se completarem, um acaba prejudicando o outro.
Países como a Coreia do Sul, que investiram na educação da população e na renovação da indústria, apostaram na combinação certeira. Por isso, enquanto a produtividade dos coreanos avançou mais de 2% ao ano de 1995 a 2008, o Brasil registrou taxas negativas da ordem de 0,4% em média.
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