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Economia | 30/11/2011 08:00

No Brasil, o campo dá o exemplo

No agronegócio, o Brasil se tornou um dos países mais produtivos do mundo nas últimas décadas. Mas a indústria e os serviços não acompanharam — e o resultado geral é um país ineficiente

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Ricardo Teles/Pulsar Imagens

Fazenda de soja em Mato Grosso

Fazenda de soja em Mato Grosso: alta produtividade com inovação e máquinas

São Paulo - No início dos anos 70, a agricultura no cerrado era quase uma utopia. A terra era fraca e o clima, quente e de chuva escassa, não ajudava. Nem estradas de verdade existiam para ligar o Centro-Oeste ao restante do país.

Naquela época, os produtores rurais menosprezavam a região: “Cerrado, só dado ou herdado”. Quatro décadas depois, o cerrado brasileiro se transformou num dos maiores centros de produção de grãos do mundo. A revolução no campo brasileiro foi fruto de tecnologia — sobretudo o desenvolvimento de sementes adaptadas ao clima tropical feito pela Embrapa —, mas também de injeção de capital.

Desde então, o Brasil quintuplicou o número de tratores nas lavouras, passando de 165 000 para mais de 800 000 máquinas. O resultado é que a produtividade da agricultura brasileira cresceu à impressionante média de 3% ao ano durante quase 40 anos. O salto do setor, porém, ainda é um exemplo praticamente isolado.

No caso da indústria, a produtividade do capital investido caiu drasticamente no começo dos anos 80, e desde então permanece empacada. Isso significa que o setor não tem conseguido elevar o rendimento das máquinas em operação nas fábricas.

“O Brasil tem um parque industrial ineficiente, resultado da baixa produtividade”, diz Eustáquio José Reis, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

Produtividade é um daqueles conceitos que está no rol de metas que  todas as empresas perseguem. É a capacidade de fazer mais com os recursos disponíveis. Essa equação é composta de dois insumos básicos: a mão de obra e o capital. Quando os dois fatores são bem utilizados, tornam todo o tecido econômico mais eficiente.

No Brasil, tem ocorrido o contrário. A perversa combinação de trabalhadores mal qualificados com o baixo rendimento do parque fabril resulta em estagnação da produtividade da economia nas últimas três décadas. Ou seja, em vez de se completarem, um acaba prejudicando o outro.

Países como a Coreia do Sul, que investiram na educação da população e na renovação da indústria, apostaram na combinação certeira. Por isso, enquanto a produtividade dos coreanos avançou mais de 2% ao ano de 1995 a 2008, o Brasil registrou taxas negativas da ordem de 0,4% em média.

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