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São Paulo - O carioca otto von stohen é um sujeito de poucas palavras. Tímido até. Seus modos formais e a figura de quem chegou aos 50 anos de idade definitivamente não combinam com o ambiente de algumas das baladas mais quentes do país. Mas fazer parte desse cenário de música eletrônica, paquera e excessos é hoje parte do trabalho de Stohen.
É ele o recém-chegado presidente da subsidiária brasileira da Diageo, maior fabricante de bebidas destiladas do mundo. E não há nada que combine mais com uma dose de uísque Johnnie Walker ou com um copo de vodca Smirnoff que uma boa noitada. Assim como não há nada que combine menos com balada que trabalho.
Isso faz com que o comportamento de Stohen durante esses eventos seja dos menos comuns. Acompanhado por dois ou três diretores e um grupo de vendedores da Diageo, ele observa as mesas para checar se as marcas da companhia estão sendo consumidas. Sim? Em doses ou garrafas? — é a pergunta que vem a seguir.
Ao mesmo tempo, Stohen analisa o perfil dos frequentadores, checando idade e sexo. As noites em bares de cidades como Recife, Rio de Janeiro e Curitiba costumam acabar com os executivos da Diageo provando bebidas criadas pela casa com produtos da empresa. No dia seguinte, o trabalho continua no escritório.
“Não há melhor lugar para medir o desempenho de nossas marcas que as baladas”, diz Stohen. “É nesses lugares que vamos atingir um número cada vez maior de consumidores, sobretudo os que costumam beber cerveja.”
Uma rápida olhada pelos recentes resultados apresentados pela Diageo, dona de um faturamento global de 16 bilhões de dólares no ano fiscal encerrado em junho, ajuda a explicar a jornada dupla de Stohen e de parte de sua equipe. É em países como o Brasil que a companhia espera crescer nos próximos anos.
Com uma receita estimada em 1 bilhão de reais, a operação brasileira representa hoje apenas 6% das vendas totais da multinacional. Mas o país foi o segundo mercado da Diageo que mais cresceu no mundo no último ano: 13%, atrás somente da Nigéria, segundo a consultoria Euromonitor.
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