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Cena do filme Karate Kid, de 2010: a China é vista como uma das salvações dos estúdios americanos
São Paulo - Cenas em pontos turísticos, como a Grande Muralha, tomadas de pessoas praticando tai chi chuan, imagens de prosperidade. Tudo na última versão de Karate Kid, filmado na China, é positivo para os mandarins do Partido Comunista.
O filme, lançado em 2010, uma parceria da Sony Pictures, da Columbia TriStar e da estatal chinesa China Film Group, une a técnica americana na arte de filmar ao plano chinês de melhorar a imagem do país no exterior — muito associado à de uma sociedade totalitária, que não tem o menor pudor em desrespeitar os direitos humanos.
As primeiras coproduções entre chineses e Hollywood aconteceram no final dos anos 90. O Tigre e o Dragão, de 2000, projetou para o mundo a parceria ao ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro.
Mas foi nos últimos anos que as autoridades chinesas intensificaram seus negócios cinematográficos com estrangeiros. Atualmente, há dez coproduções entre as fases de pré e pós-produção, a metade com estúdios americanos. Antes das filmagens, os roteiros são — obviamente — esquadrinhados pelas autoridades chinesas.
Qualquer menção mais crítica à maior ditadura do mundo é sumariamente descartada. Muitas vezes, nem existe a necessidade de censura. “Os estúdios não querem ofender o governo chinês por medo de perder a oportunidade econômica que o país oferece“, diz Chris Berry, professor de cinema da Universidade de Londres.
O pano de fundo da estratégia chinesa é aumentar o que os especialistas em relações internacionais chamam de soft power, ou poder brando. A máquina militar e a força econômica, o hard power, são exemplos clássicos de instrumentos usados para influenciar outros países, mas não os únicos.
Uma nação também pode atingir seus objetivos ao fazer com que as demais admirem seus valores, sua cultura e queiram imitá-la. “Para os chineses, a parceria com Hollywood é uma excelente tentativa de aumentar seu soft power, com a maior aceitação de sua cultura no exterior”, diz Tarun Khanna, professor da Universidade Harvard e autor de Bilhões de Empreendedores, sobre os avanços de China e Índia.
Se os chineses estão mirando para fora, Hollywood e os estúdios europeus querem mesmo é o mercado chinês, o quinto maior do mundo e o que mais cresce.
Como costumam fazer em vários outros setores da economia, os chineses também protegem a indústria cinematográfica. Apenas 20 filmes estrangeiros são exibidos a cada ano, e ser classificado como coprodução é a única maneira de escapar dessa cota.
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