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Sem poder explorar todos os recursos disponíveis de marketing, sempre respeitando os limites da legalidade, dificilmente uma cerveja como a Nova Schin teria feito o sucesso que fez anos atrás, passando de pouco mais de 8% de participação de mercado para 14%, chegando a incomodar a líder Ambev.
“Esse movimento é perigoso porque toda censura é burra, e burra ficará a propaganda que seguir as regras do politicamente correto”, afirma José Roberto Whitaker Penteado, presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). A patrulha moralista, no entanto, já está mirando mais longe.
No início de outubro, a desconhecida Secretaria da Mulher do Sindicato dos Metroviários de São Paulo pediu à Rede Globo que fosse retirado do ar um quadro do programa Zorra Total, em que uma personagem transexual e sua amiga tratam de amenidades dentro de um vagão de metrô e, vez ou outra, são bolinadas (como ocorre com frequência nos trens lotados Brasil afora). O sindicato, apoiado pela ministra Iriny Lopes, diz que o quadro incita o assédio sexual nos trens. A Globo rejeitou o pedido.
É evidente que campanhas publicitárias, programas de televisão e qualquer tipo de manifestação pública precisam se pautar pelos limites do bom-senso. Hoje em dia, felizmente, citações racistas, como muitas vezes vistas no próprio Trapalhões há 30 anos, não são admitidas.
Produtos de venda restrita, como remédios, cigarros e bebidas alcoólicas, já têm regras próprias de regulamentação publicitária. Declarações preconceituosas, mal-educadas e sem sentido não devem ser toleradas — a rejeição, normalmente, vem do próprio público, que usa a censura do controle remoto.
Mas não se pode caminhar para o extremo oposto. A solução não está em ofícios do governo ou de entidades que tentam assumir a proteção dos valores morais. “Há um exagero nas reações contrárias à publicidade”, afirma a psicóloga Sandra Cavasini, da Escola Paulista de Medicina. “O consumidor sabe escolher entre o que é ou não aceitável.”
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