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Inflação em alta: As expectativas de mercado para o IPCA em 2011 estão no limite do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 6,5% e, com a alta do dólar, as previsões são de mais aumento nos preços
São Paulo - O Brasil enfileirou na última década anos de crescimento econômico, em uma sequência que não experimentava havia 30 anos. Foi assim que milhões de famílias ascenderam da pobreza à classe média, um fenômeno que ampliou o consumo no mercado interno — o motor que manteve a máquina girando mesmo em 2008, no estouro da crise bancária americana.
Essa capacidade inédita de gerar bonança em larga escala é novamente posta à prova agora, quando o mundo se vê apreensivo com o drama da crise da dívida grega, o risco de colapso do euro, a reticência com a saúde financeira dos bancos europeus e a possibilidade de recessão econômica nas grandes potências.
Não é uma crise brasileira, mas não é possível ficar imune a ela. Na turbulência de três anos atrás, a economia do país sofreu uma desaceleração súbita. Dois trimestres consecutivos de freada foram suficientes para produzir uma retração — a economia, que vinha rodando ao ritmo anual de 7% em 2008, estancou a ponto de o produto interno bruto cair 0,6% em 2009.
Se daquela vez fomos pegos de surpresa, hoje a nuvem cinza está visível no horizonte. E o desempenho do país dependerá mais do que nunca do que for feito desde já para resolver questões locais, como a da ameaça da inflação, para reforçar os pilares econômicos.
Na maioria das projeções para 2012, a economia brasileira mantém um ritmo de crescimento bem abaixo do patamar mais robusto dos últimos anos. O cenário tido como mais provável contempla expansão de 3,5% neste ano e 3,7% em 2012 — vale lembrar que a taxa do ano passado foi de quase 8%.
Mas não se trata de um prognóstico ruim. No melhor dos mundos, o Brasil não só passa pela tormenta como também promove ajustes coordenados para um voo de longo prazo.
“Se esse momento de incerteza ajudar a esfriar o ciclo e a reduzir a inflação brasileira, essa pode ser uma boa coisa”, diz Jim O’Neill, chefe de pesquisa global do Goldman Sachs e criador do termo Bric, em referência a Brasil, Rússia, Índia e China. “É engraçado, mas a crise talvez possa ajudar o Brasil de uma forma inusitada.”
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