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Os fornecedores Villas (à esq.) e Izzo: seis meses de preparação
São Paulo - Preço costuma ser o mais delicado dos temas que envolvem a relação entre clientes e fornecedores. Quem compra procura gastar menos. Quem vende, ganhar mais. Chegar ao ponto de equilíbrio foi a essência dessa negociação até que outros aspectos — a sustentabilidade, entre eles — passaram a ser colocados na mesa.
Analise o caso da Natura, maior fabricante de cosméticos do país. Desde janeiro deste ano, antes de fechar qualquer compra, seus executivos passaram a avaliar o fornecedor de acordo com sete indicadores socioambientais, como consumo de água, emissão de carbono e índice de acidentes.
O novo processo começou com a análise de 60 fornecedores de produtos — 50 antigos e dez novatos — que produzem sabonetes e embalagens e respondem por encomendas de 1,2 bilhão de reais por ano.
Em julho, após seis meses de análise, os contratos foram fechados, com o compromisso dos fornecedores de melhorar seus índices anualmente, de acordo com metas individuais acordadas entre as partes.
O resultado já é visível: uma redução de custos de 101 milhões de reais para a Natura e um avanço de 4% dos indicadores socioambientais dos fornecedores, porcentagem que deve triplicar nos próximos três anos. “Nessa nova lógica, o menor preço ainda é fundamental, mas não basta”, diz João Paulo Ferreira, vice-presidente de operações e logística da Natura.
Transição
A inclusão de novos critérios para a escolha dos fornecedores é o segundo grande passo de um movimento que a Natura iniciou há cinco anos. Em 2006, a empresa passou a cobrar de sua cadeia de fornecimento o envio de relatórios trimestrais com dados socioambientais.
As informações são usadas como base para a gestão de metas globais da Natura, que envolvem, entre outros aspectos, a redução da emissão de carbono em 33% até 2013. (Até 2010, 21% desse compromisso havia sido atingido.)
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