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Infraestrutura | 10/10/2011 05:55

Os portos brasileiros são um desastre

EXAME acompanhou a viagem de um navio de carga do Amazonas a Santa Catarina e constatou por que o Brasil é um dos piores países do mundo na qualidade dos portos

Lucas Vettorazzo, de
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Leo Caldas/EXAME.com

O navio Jacarandá no porto de Suape

O navio Jacarandá em Suape: o inferno diário dos portos visto de perto

São Paulo - O toque do celular do carioca Rafael Malafaia — um ringtone com uma guitarra estridente — está sempre regulado no volume máximo. O objetivo é ser acordado a qualquer hora do dia ou da noite quando surge algum problema de trabalho. Malafaia é o responsável pelo planejamento das cargas transportadas pelo navio Jacarandá, da empresa de logística LogIn, com sede no Rio de Janeiro.

É ele que determina o local onde cada contêiner deve ser posicionado dentro do navio, de forma que, na hora do desembarque, a operação seja a mais rápida possível. Trata-se de uma tarefa complicada, pois o Jacarandá carrega até 2 800 contêineres de 20 toneladas cada um.

Na madrugada de 24 de agosto, o celular de Malafaia não parou de tocar. Ele coordenava, de seu quarto no Jacarandá, a operação de partida do porto de Santos, o maior do país. A barulheira só cessou às 4h38 da manhã, quando o navio saiu de Santos rumo a Paranaguá, no Paraná.

Irritado e com os olhos vidrados na tela do computador, Malafaia desabafou: “Droga! Deixamos muita carga no chão”, referindo-se aos 142 contêineres deixados para trás, o equivalente a 30% da carga que deveria ter sido coletada no porto paulista.

A reportagem de EXAME acompanhou a viagem de seis dias do navio desde a parada anterior, no porto de Vitória, até Itajaí, em Santa Catarina, passando por Santos e Paranaguá.

O objetivo foi ver, de perto, como funcionam os portos mais importantes do país — a rota completa do Jacarandá inicia-se em Manaus, no Amazonas, totalizando um percurso de quase 5 700 quilômetros, que leva, em média, 13 dias.

Malafaia estava particularmente nervoso na saída de Santos porque aquela era a terceira de quatro paradas da mesma viagem em que o navio deixava carga para trás. Na primeira escala, no porto de Manaus, o Jacarandá deixou de embarcar 594 contêineres — 85% do total previsto.

Na segunda, em Suape, em Pernambuco, outros 185 não foram embarcados a tempo, 46% do programado. Na rota completa, 942 dos 2 252 contêineres previstos para embarque — quase metade do total — foram deixados para trás por inúmeros problemas decorrentes da precariedade dos portos brasileiros.

Comentários (4)  

André Garcia Calegari

Por isso que acredito no negócio da LLX. Os portos deles serão novos, modernos e uma fonte de muito lucro...

17.10.2011 | Ler comentário completo |  

Paulo Sérgio Loredo

Lendo notícias - constatações - como essa não se entende como empresas e o país se sustenta.

12.10.2011 |  

jose carlos lopes barros

que PAc isso é coisa pra politico roubar dinheiro. desde quando papo de politico funciona.

10.10.2011 |  

argenario

Mas, não tem o PAC e o PAC2? Um dos objetivos não era investir em portos e adequá-los com os países modelos...

10.10.2011 | Ler comentário completo |  

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