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São Paulo - Embora exista há relativamente pouco tempo, o happy hour dos funcionários da cervejaria holandesa Heineken — a quarta maior do Brasil com faturamento de 2,7 bilhões de reais — já é encarado como tradição na companhia.
Todas as sextas-feiras por volta das 17 horas, as 180 pessoas que trabalham na sede da empresa, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, se reúnem em um bar montado no 5o andar do prédio. A confraternização, que acontece desde dezembro do ano passado, quando a cervejaria mudou para o novo escritório, nunca havia servido a grandes comemorações — até o último dia 9 de setembro.
Naquela data, o grupo foi convidado pelo presidente da empresa, o sul-africano Chris Barrow, de 52 anos, a fazer um brinde especial. “Hoje temos um ótimo motivo para celebrar”, disse Barrow, num português carregado de sotaque. “Após um ano de trabalho duro, conseguimos crescer acima da média de mercado.”
Entre janeiro e agosto deste ano, enquanto o mercado de cervejas caía 1,3%, as vendas da Heineken cresceram 5% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Com esse desempenho, a empresa, que desde janeiro de 2010 é proprietária das marcas Kaiser, Bavária e Sol graças à aquisição da mexicana Femsa por 7,6 bilhões de dólares, voltou a ganhar participação de mercado no Brasil, chegando a 8,6% do total segundo dados da consultoria AC Nielsen — um avanço de 0,7% em um ano.
Para a Kaiser, uma companhia que viu sua fatia de mercado cair de 15% para 8% depois de passar pelas mãos de brasileiros, canadenses e mexicanos de 2002 para cá, os números atuais têm um efeito tanto psicológico quanto matemático — cada ponto percentual equivale a 200 milhões de reais em vendas.
“Finalmente temos um grupo com experiência em cerveja tocando a operação”, diz Barrow, no comando da subsidiária brasileira há um ano.
Tão logo chegou ao Brasil, Barrow substituiu os principais executivos da gestão Femsa por profissionais egressos de outras operações da Heineken espalhadas pelo mundo — dos oito vice-presidentes, cinco são estrangeiros, a maior parte vinda de mercados nos quais a Heineken é líder ou vice-líder em participação, como Portugal e Itália.
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