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São Paulo - Bem antes de seu primeiro Boeing 777 pousar no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em março, a companhia aérea Singapore Airlines teve de encarar um longo passeio por órgãos públicos brasileiros.
Agência Nacional de Aviação Civil, Receita Federal, Junta Comercial, Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, prefeitura e até o Corpo de Bombeiros fizeram parte de uma peregrinação que durou quase quatro meses até a empresa ser autorizada a operar três voos semanais entre São Paulo e Singapura.
A Singapore Airlines teve sorte. Antes dela, a Turkish Airlines gastou cinco meses para começar a operar no país. E a Emirates, uma das mais modernas companhias aéreas do mundo, enfrentou um ano de vaivém burocrático.
“Foi um começo bem frustrante para elas”, diz o advogado Neil Montgomery, da Felsberg e Associados, que assessorou as três companhias. “Recentemente, um investidor esloveno não teve a mesma paciência e desistiu do Brasil.”
Não há dúvida de que a economia brasileira é cada vez mais atraente para as multinacionais — sobretudo se comparada ao desempenho de Europa e Estados Unidos no momento.
Em 2010, 48 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros entraram no país, recorde que pode ser batido com o ingresso de 55 bilhões de dólares em 2011. Mas isso não muda o fato de que o Brasil continua a ser um dos países mais difíceis para fazer negócios.
Segundo o relatório “Doing Business”, do Banco Mundial, que avalia o ambiente de negócios em 183 países, o Brasil ocupa a 128ª posição no ranking de facilidade para abertura de empresas — atrás de economias como Moçambique e Nepal. Aqui, em média, são necessários 15 procedimentos e 120 dias para o registro. No México, são seis procedimentos e nove dias.
Mas a realidade tem se provado ainda mais complexa. Qualquer empresa industrial enfrenta ao menos um ano de burocracia antes de começar a construir uma fábrica. No caso de uma empresa de comércio exterior, apenas a autorização para importação emitida pela Receita Federal pode demorar quatro meses.
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