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Infraestrutura | 07/09/2011 08:00

Socorro, quero sair de Viracopos e ir para Cumbica

No auge do caos aéreo, o aeroporto de Viracopos, em Campinas, no interior paulista, chegou a ser considerado uma solução para aliviar a demanda. Agora, o caos também se instalou lá

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Alexandre Battibulgi/EXAME.com

Passageiros caminham na pista no aeroporto de Viracopos

Caminhada na pista: no aeroporto de Viracopos não existem passarelas de embarque nos aviões

São Paulo - Não faz muito tempo, viajar pelo aeroporto paulista de Viracopos, em Campinas, era uma opção limitada a quem morava ali perto. Havia pouca oferta de voos e a prioridade do terminal eram os contêineres de carga. Hoje, não faltam voos via Campinas — mas também não faltam motivos para aborrecimento.

Embarcar em Viracopos é se irritar com o estacionamento lotado, com o congestionamento de carros na entrada do terminal, com a sala de embarque abarrotada de viajantes — onde há filas na porta dos banheiros e o pão de queijo da única lanchonete é sofrível, para dizer o mínimo.

Bem-vindo a Viracopos, o segundo aeroporto que mais cresceu no mundo no ano passado (o primeiro foi o Istambul Sabiha Gokcen, na Turquia). Há cinco anos, embarcavam e desembarcavam em Campinas apenas 65 000 pessoas por mês.

Com o aumento da demanda por transporte aéreo e a saturação dos principais aeroportos do país, Viracopos — a 90 quilômetros de São Paulo e considerado fora de mão pelos usuá­rios da capital — virou alternativa para aliviar Cumbica e Congonhas.

A chegada da Azul, companhia aérea do empresário David Neeleman criada em 2008, foi decisiva para que hoje mais de 600 000 passageiros passem mensalmente por lá.

O aumento de 300% dos pousos e decolagens tornou o aeroporto o décimo maior do país — há cinco anos era o 20º. Tamanho crescimento colocou Viracopos no grupo de aeroportos, junto com Cumbica e Brasília, que devem ser concedidos à iniciativa privada no final deste ano. 

Inaugurado em 1960, Viracopos foi idealizado como alternativa ao aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, então a principal porta de entrada e saída do país por via aérea. Em 1986, Cumbica foi inaugurado na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, e Viracopos ficou quase que só com cargas.

Há cinco anos, os passageiros começaram a voltar — e os problemas não tardaram a surgir. Na segunda-feira 22 de agosto, EXAME esteve em Viracopos e conferiu de perto o que irrita os usuá­rios. A encrenca começa no estacionamento. Com apenas 1 200 vagas, viajantes, funcionários e prestadores de serviços brigam por espaço para seus carros, muitas vezes estacionando sobre os canteiros.

Um dos bolsões para veículos nem sequer é asfaltado — seus pedriscos constituem um desafio para quem viaja com mala de rodinhas. O traslado até o terminal é feito por uma van (velha e com o estofamento estragado).

A Azul oferece aos passageiros que vêm de São Paulo quatro linhas de ônibus, reduzindo a demanda por estacionamento. Mas, na entrada do terminal, há mais dificuldades: carros, táxis e ônibus disputam lugar para o desembarque de passageiros.

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