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50,45% é a parte que pertencia à ala da família representada por Adriano Schincariol que foi vendida por 4 bilhões de reais para a Kirin
São Paulo - Há décadas o mercado brasileiro de cervejas vive em clima de guerra, como se as disputas e as provocações fossem parte indispensável do negócio. Brahma e Antarctica juraram ódio eterno por anos, até se unirem para formar a Ambev, no fim dos anos 90. A Ambev, então, passou a enfrentar a Kaiser, contrária à fusão.
Nos anos seguintes, a disputa ganhou novos protagonistas, com a criação de cervejarias como a Petrópolis, o crescimento da Schincariol e a chegada de multinacionais como a Molson e a Femsa.
Por pontos a mais de participação de mercado, os executivos dessas companhias se acusaram, vendedores chegaram a trocar socos e pontapés e publicitários investiram fortunas para criar a campanha de maior impacto ou contratar a musa mais desejada do Carnaval. Até agora, a guerra se deu dentro dos limites da concorrência entre empresas.
A recente venda do controle da Schincariol para a Kirin, segunda maior cervejaria do Japão, porém, abre um novo capítulo no setor. Nele, a disputa não é entre rivais. Acontece no seio de uma mesma família, entre as quatro paredes de uma mesma companhia.
De um lado, está a ala comandada por Adriano Schincariol, o vendedor de 50,45% de participação na cervejaria que ele preside e que leva seu sobrenome. Do outro, o vice-presidente Gilberto Schincariol, seu primo, que, juntamente com os irmãos, José Augusto e Daniela, detém 49,55% da empresa e reivindica na Justiça o direito de preferência na compra do controle.
A oposição entre Adriano e Gilberto — e o desenrolar da história — revela que a convivência entre as duas alas da família dona da segunda maior cervejaria do país não era tão amigável quanto seus membros fizeram parecer durante anos.
Aos 28 anos de idade, Gilberto diz querer manter a Schincariol nas mãos do clã. Ele também alega ter o direito de compra da empresa pela melhor proposta de preço oferecida por qualquer outro interessado. Poderia, assim, levar a Schincariol pelos mesmos 4 bilhões de reais oferecidos pela Kirin.
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