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O investidor americano John Paulson: ele já ganhou um bônus de 5 bilhões de dólares, mas está perdendo em 2011
São Paulo - Em julho de 2010, a revista americana Bloomberg BusinessWeek publicou um artigo confrontando duas previsões antagônicas sobre o futuro da economia americana. De um lado, Paul Krugman, de 58 anos, prêmio Nobel de Economia, considerava altíssimos os riscos de uma nova crise.
De outro, John Paulson, um dos maiores investidores do mundo, tinha uma visão muito mais otimista. Paulson afirmava que a recuperação americana era “sustentável” e que os riscos de uma nova recessão eram inferiores a 10%. Quem teria razão?
A revista americana não fez questão de esconder em quem apostava. Paulson, o investidor, ganharia de Krugman, o acadêmico. Uma nova crise americana, portanto, seria improvável. Era comprar ações e partir para o abraço.
Por que tanta confiança no faro de John Paulson? O raciocínio é simples de entender. Ninguém, no mercado financeiro atual, ganhou tanto dinheiro acreditando no próprio faro. Entre 2005 e 2007, Paulson apostou tudo o que tinha — e o que não tinha — contra o mercado imobiliário americano.
Seus cálculos mostravam que havia, ali, uma bolha em estágio avançado de formação. Caso os preços dos imóveis continuassem subindo, ele e seus investidores perderiam. Caso contrário, ganhariam fortunas. Deu no que deu. Em 2007, seu fundo deu retornos espetaculares, e Paulson ganhou — sozinho — 4 bilhões de dólares.
Três anos depois, ele conseguiu retornos ainda maiores apostando na valorização do ouro. Seu bônus foi de 5 bilhões de dólares. Num confronto entre um sujeito desses e um acadêmico de classe média, por mais genial que o acadêmico seja, havia mesmo motivos para ficar com Paulson. Mas, um ano depois, começa a ficar evidente que o professor tinha razão. O bilionário não viu a crise de 2011.
John Paulson tornou-se um dos protagonistas da onda de pânico que arrasou as bolsas americanas no início de agosto — mas, desta vez, no desconfortável papel de perdedor. Estima-se que seu principal fundo tenha perdido 31% de seu patrimônio no ano.
No dia 8 de agosto, quando o índice Dow Jones teve sua pior queda desde o apogeu da crise de 2008, circularam no mercado americano rumores de que Paulson estava sendo forçado a se desfazer de seus papéis — e que suas vendas forçadas eram as responsáveis pela queda anormal das ações. Krugman, claro, fartou-se: num comentário publicado em seu blog, tratou de espalhar os boatos anti-Paulson.
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