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Fábrica da Sadia: um ano para recuperar as perdas com as restrições do Cade
São Paulo - O executivo José Antônio Fay, presidente da Brasil Foods, preferiu não acompanhar de perto o momento que colocou um ponto final à saga de dois anos que envolveu a fusão entre Perdigão e Sadia.
Na véspera do julgamento do caso no Cade, órgão máximo de defesa da concorrência, marcado para o dia 13 de julho, ele ficou até o final da tarde fechado numa sala da autarquia, em Brasília, para finalizar as negociações com um grupo de conselheiros e embarcou num avião da capital federal de volta a São Paulo.
No dia seguinte, de seu escritório, ouviu ao lado de nove de seus vice-presidentes o julgamento, em transmissão pela internet. Além do significado simbólico de estar junto de sua equipe, a presença do executivo na sede serviu para sinalizar o ritmo — acelerado — que pretende imprimir na nova fase da companhia. “Definimos uma rotina de trabalho para que possamos ser uma só empresa até dezembro”, diz.
Fazer das duas uma só empresa não será tão simples quanto tirar da gaveta um amplo projeto realizado pela consultoria McKinsey em março de 2010.
No plano, que não previa as restrições impostas pelo Cade, uma análise das operações resultou num conjunto de 220 ações para unificar as empresas.
Metade delas já saiu do papel antes mesmo da aprovação do negócio, em áreas como a de compras de matéria-prima — tudo com autorização do Cade.
Como o acordo firmado com a autarquia obriga a venda de um pacote de 12 marcas e dez fábricas até julho de 2012 e a suspensão por até cinco anos de 15 linhas de produtos da Perdigão, o novo desenho da operação vai exigir adaptações.
Para cuidar delas, em julho um grupo de 30 executivos formado por diretores e gerentes de todas as áreas foi destacado para comandar essa maratona — sob a supervisão de Fay, que deverá se reunir a cada 15 dias com a equipe até o fim deste ano.
A integração entre Sadia e Perdigão, que desde o segundo semestre de 2009 já publicavam um só balanço e eram negociadas na Bovespa sob uma única ação, estava avançada apenas no topo da pirâmide. A BRF tem um primeiro escalão unificado — composto de dez vice-presidentes, que se reportam a Fay — há mais de um ano.
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