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Jean-Charles Naouri, presidente executivo e do conselho de administração do grupo Casino: experiência profissional inclui a chefia de gabinete do Ministério da Economia da França
São Paulo e Paris - O feriado comemorativo da queda da Bastilha, no dia 14 de julho, teve significado especial para o empresário Jean-Charles Naouri, controlador e presidente da rede varejista francesa Casino. Naquele dia não aconteceu absolutamente nada fora da rotina — e, para Naouri, essa era a melhor notícia possível.
Ele aproveitou para ficar em casa, com a mulher e os dois filhos, diferentemente dos milhares de parisienses que deixam a capital num feriado prolongado. Mesmo no auge do verão, o tempo não ajudou — choveu e a temperatura não passou dos 17 graus.
Ainda assim, Naouri não poderia estar mais satisfeito. Após semanas de intensa batalha travada tanto nos bastidores quanto publicamente com seu sócio no Grupo Pão de Açúcar, o empresário Abilio Diniz, ele pôde enfim descansar.
Nas semanas anteriores, ele estivera às voltas com uma proposta apresentada por seu sócio que envolvia uma intrincada engenharia financeira para unir os negócios do Grupo Pão de Açúcar e do Carrefour no mundo.
Como resultado, tanto Abilio quanto o Casino passariam a deter uma participação minoritária numa nova empresa — e o Casino deixaria de ter o direito de assumir o controle do Pão de Açúcar no ano que vem. Com o trabalho sem trégua de dezenas de assessores tanto na França como no Brasil, Naouri conseguiu articular uma espécie de vitória silenciosa.
No começo da tarde do dia 12 de julho, os conselheiros do Casino recusaram a proposta de fusão com o Carrefour por unanimidade — com exceção, claro, do próprio Abilio, que se absteve. O BNDES, que apoiaria a fusão com até 4,5 bilhões de reais, anunciou sua saída do negócio, seguido pelo banco BTG Pactual. Sem apoio, foi a vez de Abilio anunciar a desistência — mesmo que temporária.
Naouri comemorou sem alarde em conversas restritas a assessores e amigos, como o empresário Antoine Guichard, neto do fundador do Casino, que lhe enviou uma carta para parabenizá-lo.
O embate entre sócios no Grupo Pão de Açúcar contrapõe dois homens de negócios poderosos — e projeta um deles da condição de mero desconhecido no Brasil para protagonista de uma das maiores brigas societárias da história do país. Se passar incólume pela guerra com seu sócio Abilio Diniz, Naouri deverá se tornar em breve o controlador do Grupo Pão de Açúcar.
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