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Estados Unidos | 06/06/2011 05:55

Tudo como antes nos salários dos executivos americanos?

Achincalhada e demonizada após a crise financeira mundial, a remuneração variável de altos executivos não só se manteve em pé como voltou a crescer nos Estados Unidos

O capitalismo ainda não conseguiu inventar maneira melhor do que os bônus de premiar os que entregam os melhores resultados. Para muitos especialistas, o problema nunca esteve nos bônus, mas nas distorções que levaram esse sistema a alimentar a crise. A solução, portanto, seria eliminar essas distorções.

O setor financeiro nos Estados Unidos aumentou significativamente a remuneração de longo prazo — incentivos, ações e opções de ações pagos ao longo de vários anos e sujeitos ao desempenho das empresas na bolsa de valores. Segundo a consultoria Johnson Associates, de Nova York, esse tipo de remuneração passou de cerca de um terço do total em 2009 para 50% no ano passado.

Philippe Dauman, presidente do conglomerado de comunicação Viacom e primeiro da lista dos principais executivos mais bem remunerados da Equilar, não foi exceção. Dos 84,5 milhões de dólares que ele recebeu no ano passado, 83% foram pagos na forma de ações e opções resgatáveis ao longo de vários anos.

Larry Ellison, cofundador e presidente da empresa de tecnologia Oracle e terceiro da lista, recebeu 70 milhões de dólares, sendo 88% em opções de ações. “A remuneração de longo prazo já era algo presente em várias companhias americanas há muitos anos. Depois da crise, essa prática foi disseminada numa velocidade maior”, diz Christopher Armstrong, professor de contabilidade da escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia.

As mudanças são um sinal de que os grandes conglomerados americanos estão mais cuidadosos, mas ainda assim persistem muitos temores. Não há dúvida de que as iniciativas registradas nos últimos dois anos aumentam a transparência das políticas de remuneração.

O problema é que existem poucos obstáculos legais para evitar que as companhias voltem a estabelecer políticas abusivas, como atrelar ganhos excessivos a resultados de curto prazo. Sem contar que muitas empresas simplesmente não aderiram às mudanças.

“O grande teste será o próximo período de bonança da economia, quando os acionistas estarão ganhando e muitos deles poderão baixar a guarda diante de práticas corporativas duvidosas”, diz Nejat Seyhu, professor de administração de empresas e finanças na escola de negócios Stephen M. Ross, da Universidade de Michigan.

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