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Advogados | 25/04/2011 05:55

A salsicharia do direito no JBM

A empresa tem jeitão de call center, linha de produção, custos baixíssimos e a atenção do investidor Ricardo Semler — é o escritório de advocacia mais inusitado do país

Alexandre Moschella, de
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Fabiano Accorsi/EXAME.com

José Edgard Bueno (o primeiro à esq.), seus sócios e seu exército de advogados

José Edgard Bueno (o primeiro à esq.), seus sócios e seu exército de advogados: em Bauru sai mais barato

A entrada do JBM, no centro de Bauru, no interior de São Paulo, dá para um salão de 2 000 metros quadrados e pé-direito alto, como num galpão. Ali, enfileiram-se gôndolas parecidas com aquelas de supermercado, cada uma com dezenas de estações de trabalho, onde os mais de 400 funcionários, lado a lado, não tiram os olhos da tela dos computadores.

Esses profissionais têm metas a cumprir: precisam atender determinado número de fregueses antes de encerrar o expediente. Entre os termos mais comuns no dia a dia estão workflow, checklist, gestão de equipe, controle de qualidade, mensuração de resultados. Só quando o visitante dá alguns passos para trás pode perceber, na placa prateada no hall do elevador, que não está em um centro de operações de telemarketing ou algo do gênero.

“J. Bueno e Mandaliti — Sociedade de Advogados”, lê-se. Trata-se do maior escritório de advocacia do país em número de advogados. É também — certamente — a sociedade de advogados mais inusitada em atividade no Brasil hoje em dia.

Basta olhar o tal galpão bauruense para perceber que o JBM, como é conhecido, assemelha-se mais a uma linha de produção fabril do que ao acarpetado, engravatado e afetado mundo dos grandes escritórios de advocacia do eixo Rio-São Paulo.

O principal motivo para isso é sua área de atuação. O JBM é o primeiro escritório do país especializado naquilo que os advogados chamam de “contencioso de massa”. Isso quer dizer que seus advogados cuidam das dezenas de milhares de pequenas causas de que são alvo as grandes empresas — principalmente ações trabalhistas e de direito do consumidor.

Para organizar a enxurrada de processos que seus departamentos jurídicos têm de encarar, as empresas contratam escritórios de advocacia — que, para dar conta do trabalho, se organizam como verdadeiras salsicharias do direito. Só o JBM administra mais de 230 000 processos. E, segundo seus sócios, vai faturar cerca de 110 milhões de reais em 2011.

Comentários (1)  

Valci Barreto

salsicharia do Direito. A atuação como empresa e não como SAGRADA, da advocacia já está aí, funcionndo...

30.04.2011 | Ler comentário completo |  

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