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1 - Estamos sofrendo com a falta de pessoas qualificadas, com a rotatividade e o custo de mão de obra chegando às alturas. Em sua opinião, qual deve ser o papel das empresas na formação de mão de obra qualificada no país? Anônimo
Há uns 45 anos visitei a Embraer para ver o primeiro modelo do turboélice Bandeirantes. Recentemente voltei mais uma vez à empresa, que hoje fabrica aviões pressurizados a jato — alguns dos quais estão entre os mais modernos do mundo. É nítido o quanto os engenheiros da Embraer aprenderam nesses últimos anos. Uma empresa pode ser comparada a um ser vivo que aprende. E, quanto mais conhecimento direcionado a seus resultados uma companhia consegue acumular, mais desenvolvida ela será. Isso é válido para qualquer ramo. Quanto mais uma empresa parecer uma escola, mais ela estará assegurando seu futuro. Recomendo-lhe investir pesado em treinamento porque esse é o dinheiro mais bem gasto que conheço. Existem diretores de diversas empresas que são contra esse tipo de investimento sob o argumento de que “não adianta nada gastar e perder o empregado logo em seguida” ou que “não vale a pena investir dinheiro e tempo para treinar profissionais que podem ir para concorrentes e levar todo o conhecimento”.
Quando você perde seus recursos humanos qualificados, pergunte primeiro qual o problema com sua empresa e por que ninguém quer ficar. É sempre bom fazer uma autocrítica nesses casos. Por outro lado, algumas vezes o próprio contexto leva a uma rotatividade maior de pessoal. Sempre que o Brasil acelera seu crescimento, falta gente qualificada. Isso já aconteceu de forma grave na primeira metade da década de 70. Tudo leva a crer que o país entrou num período longo de desenvolvimento, e seria aconselhável que as empresas se preparassem para compensar essa falta de gente. Treinar é barato. Caras são as perdas incorridas na produção de mercadorias e serviços por pessoas sem treinamento. Equipamentos quebrados, defeitos de produção e clientes insatisfeitos são coisas que afetam muito mais o caixa do que os treinamentos. Temos clientes que decidiram eles mesmos cuidar da formação de seu pessoal por falta de opção. Mas eles agora percebem que, se bem preparados, esses treinamentos são até melhores que os realizados fora da empresa. A razão é simples: sempre se pode dar exemplos concretos da companhia, e as escolas não conseguem prover esses exemplos vivos. Aconselho-o a ficar com um olho no treinamento e outro no índice de rotatividade de pessoal, desenvolvendo políticas que deixem os funcionários satisfeitos com sua empresa e, assim, reduzindo a perda de bons profissionais.
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