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Internet | 23/03/2011 11:33

O mapa do crescimento do Apontador

Durante dez anos, o Apontador se preparou para a explosão dos aparelhos móveis e da geolocalização — agora, chegou a hora de lucrar com isso

Luiza Dalmazo, EXAME

Germano Lüders/EXAME.com

Frederico Hohagen, Anderson Thees e Rafael Siqueira, do Apontador

Frederico Hohagen, Anderson Thees e Rafael Siqueira, do Apontador: 600 000 downloads de aplicativos para celular e aposta no mercado de serviços de geolocalização

O paulistano Rafael Siqueira tinha 23 anos quando, com papel e caneta em mãos, saiu de casa para uma empreitada ambiciosa. Durante vários dias, Siqueira percorreu a cidade de Campos do Jordão, no interior de São Paulo, anotando nomes de ruas e números de residências e de estabelecimentos comerciais.

A tarefa foi reproduzida por outras 500 pessoas contratadas por ele em 43 cidades do país. O ano era 2000, e Siqueira havia acabado de trancar a faculdade de engenharia mecatrônica na Universidade de São Paulo para levar a sério seu maior hobby: criar mapas virtuais.

O mutirão montado para mapear cidades brasileiras seria o embrião de uma empresa especializada em traçar rotas via internet fundada naquele ano por Siqueira e outros três sócios.

Dez anos mais tarde, com clientes como Google, Microsoft e Unilever na carteira, o Apontador é a maior referência em serviços de localização geográfica online da América Latina e uma das empresas brasileiras mais bem-sucedidas no mercado de aplicativos para celulares.

O começo

Como costuma ocorrer com startups, os primeiros anos do Apontador não fo­ram fáceis. Em 2000, a internet brasileira engatinhava. Naquele ano, o UOL, uma das grandes empresas do setor, se lançaria na concorrência com o Map­Link. Para piorar, os sócios abandonaram o barco logo nos primeiros dois anos, e Siqueira ficou sozinho no negócio.

Mas não desistiu. Apoiou-se em investidores dos grupos Unicoba e JAG, que injetaram 3,6 milhões de reais na empresa até 2004. O ano de 2008 marcou outra virada para o Apontador. Em abril, após a fusão com o MapLink, a rivalidade com o UOL ficou para trás.

Sob a coordenação do executivo paulistano Frederico Hohagen, o MapLink assumiu o desenvolvimento de mapas e rotas, enquanto o Apontador se especializou em serviços de busca local.

O foco do negócio passou a ser o desenvolvimento de serviços de geolocalização para dispositivos móveis. “Desde o início, sabíamos que o futuro estava nos serviços móveis de localização, mas tínhamos de esperar o momento certo para nos dedicar com força a isso”, diz Siqueira.

Com a base de informação geográfica e de mapas reunida ao longo dos anos, o Apontador se vê hoje em posição privilegiada num mercado em expansão. Em todo o mundo, segundo o instituto de pesquisas Gartner, o mercado de serviços de localização para consumidores movimenta 2,9 bilhões de dólares ao ano — até 2014, esse valor deve alcançar 8,2 bilhões.

“Com planos de banda larga móvel mais acessíveis e o aumento da base de smartphones, a geolocalização hoje vive um boom”, diz Annette Zimmerman, analista do Gartner. Serviços que combinam ofertas com informações geográficas de clientes e usuários se multiplicam a cada dia.

Quem usa redes sociais para avisar a amigos que está dentro de uma loja da rede Starbucks ou de um varejista, por exemplo, pode imediatamente ganhar um cappuccino ou descontos em compras.

O primeiro aplicativo para celulares do Apontador, um programa que oferece informações sobre trânsito em tempo real, foi lançado em novembro de 2008. De lá para cá, outros 15 aplicativos para aparelhos de diversas plataformas chegaram ao mercado brasileiro.

No total, as criações da empresa no ambiente móvel somam mais de 600 000 downloads. No Brasil, aplicativos como Apontador Trânsito, Radar, Rodoviário e Postos estão entre os dez mais baixados no país na categoria navegação na loja virtual da Apple.

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