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Fábrica da Nissan no Brasil: sátira aos rivais e crescimento recorde em 2010
Salvo raríssimas exceções, anúncios de carro novo não são lá muito ousados. O roteiro clássico inclui um veículo impecável percorrendo ruas inacreditavelmente vazias de uma grande cidade ou rasgando estradas bucólicas num cenário tipicamente europeu. Talvez por isso os recentes filmes exibidos pela operação brasileira da japonesa Nissan tenham chamado a atenção do público e causado certo desconforto na concorrência.
Desde julho do ano passado, a montadora veiculou uma série de sete propagandas nas quais atacava diretamente os concorrentes — exibindo seus logotipos, num ato de quase blasfêmia. No primeiro filme, atores que interpretavam engenheiros da Toyota e da Volkswagen tomavam um banho de lama e comiam a poeira deixada pela picape Frontier, da Nissan. Em outro, supostos técnicos da Honda, da GM e da Fiat eram achincalhados no ar por seus “supervisores”, insatisfeitos com os prêmios dados por revistas especializadas a veículos da Nissan.
Em dezembro, a Nissan colocou no ar uma campanha com o que seriam cantores sertanejos quase “urbanos”, do tipo que gosta mais de conforto do que de aventura — numa clara alusão aos compradores das picapes Hilux, da Toyota, e Amarok, da Volks (o nome da dupla, Railuque e Mailoque, deixava claro o tom de brincadeira). Por fim, no dia 10 de fevereiro, a montadora veiculou um pedido de desculpas satirizando ainda mais as rivais. Os filmes despertaram a ira dos concorrentes, que recorreram ao Conar, o órgão de autorregulamentação da propaganda no Brasil, exigindo sua suspensão. Foi a senha para que a série virasse hit na internet.
Só o vídeo com a campanha dos “agroboys do asfalto” foi visto 380 000 vezes no YouTube num único fim de semana. Ao todo, os filmes da Nissan já tiveram 800 000 acessos, oito vezes mais que qualquer propaganda de carro no país transmitida pela internet. Nada mau para uma montadora que, apesar de ter se estabelecido no Brasil há quase uma década, ainda permanecia desconhecida por parte dos consumidores.
“Agora, todo mundo sabe o que é a Nissan”, diz o francês Christian Meunier, presidente da montadora no Brasil desde abril do ano passado. A meta é chegar a 2% do mercado até o início do ano que vem, vendendo 70 000 veículos. A Nissan encerrou 2010 com 1,07% do mercado, seu melhor desempenho na história — e uma vitória ante a média de 0,7% dos últimos cinco anos.
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