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Pessoas | 27/12/2010 06:00

Os novos sócios do Roberto Setubal

Inspirado no modelo criado pelos bancos de investimento, o Itaú Unibanco começa a distribuir ações a um grupo de eleitos entre seus 4 000 executivos

Lucas Amorim, EXAME

Germano Lüders/EXAME.com

Executivos do Itaú Unibanco

Executivos do Itaú Unibanco, na sede, em São Paulo: eles estão entre os 56 escolhidos na primeira etapa do programa

Durante anos, o grupoda foto acima acostumou-se a tratar Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, pela respeitosa alcunha de doutor. A mesma reverência distinguia dezenas de executivos do banco até pouco tempo atrás. Hierarquia sempre foi coisa séria dentro da instituição financeira, conhecida como uma das mais formais do país. Num esforço para mudar a tradição construída ao longo de seis décadas, recentemente os funcionários foram estimulados a pôr fim nessa história de doutor pra cá, doutor pra lá. Pelo menos na teoria, Roberto Setubal virou simplesmente Roberto. Pedro Moreira Salles, presidente do conselho de administração, Pedro. Com o mesmo intuito, outros velhos símbolos de poder também ficaram para trás nos últimos dois anos — como um restaurante exclusivo para gerentes, crachás com cores diferentes para cada cargo e vagas cativas na garagem para os mais graduados.

Recentemente, o Itaú Unibanco deu seu maior passo no sentido de diluir o peso da hierarquia nas relações entre seus funcionários. Desde agosto, um grupo seletíssimo de 56 profissionais pode chamar Roberto e Pedro não apenas pelo primeiro nome mas também de sócios. Eles são os primeiros eleitos do recém-criado programa de sociedade, destinado a um grupo de 4 000 executivos com desempenho acima da média. “É uma revolução para o banco”, diz Ricardo Villela Marino, vice-presidente responsável pela área de recursos humanos do banco e bisneto do fundador, Alfredo Egydio de Souza Aranha. “Estamos levando a meritocracia às últimas consequências.”

Um programa de sociedade tão abrangente não representa apenas um movimento inédito para o Itaú Unibanco — mas também é exceção entre bancos de varejo no país. A distribuição de ações em bancos comerciais brasileiros em geral é privilégio dos que sentam muito perto da cadeira do presidente. No Itaú, por exemplo, o benefício era concedido desde 1995 somente aos 100 diretores executivos e vice-presidentes. O novo programa não só amplia o público-alvo como traz uma diferença fundamental. Antes, para ser sócio, bastava chegar ao topo da corporação. Agora, apenas os melhores ganham o direito de comprar ações. É um choque de meritocracia numa companhia com tradição em distinguir profissionais de acordo com a patente — e não com base nos resultados. “Eles tiveram coragem para mexer em seus pilares, numa mudança cultural profunda”, diz Marcelo Santos, sócio da consultoria Doers, especializada em recursos humanos.

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