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Entrevista | 01/12/2010 14:19

O dinheiro pode esperar, diz Zuckerberg

Para o criador do Facebook, o crescimento da base de usuários ainda é mais importante do que a busca de receitas

Sérgio Teixeira Jr., de
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Justin Sullivan/Getty Images

Mark Zuckerberg

Zuckerberg: o Google é acadêmico, o Facebook é prático

"Yeah.” Quando o jovem americano Mark Zuckerberg diz “yeah”, quem está conversando com ele sabe que o corpo pode estar ali, mas a cabeça está longe, muito longe. Primeiro risco de uma entrevista com Zuckerberg: ouvir um “yeah”. Segundo risco: não conseguir extrair nada além de platitudes. Para quem criou e é dono de uma empresa social, Zuckerberg tem uma notável ausência de carisma. Já virou clichê descrevê-lo como um robô, mas é difícil não cair nessa tentação.

Por tudo isso, foi uma agradável surpresa conversar com Zuckerberg. Ele recebeu EXAME em sua sala, um aquário no meio do prédio onde ficam os engenheiros do Facebook. Zuckerberg, dono de uma fortuna estimada pela revista Forbes em 6,9 bilhões de dólares, vestia calça jeans, camiseta verde e tênis de corrida e passou boa parte do tempo com um pé na mesa de centro. Zuckerberg parece estar cada vez mais à vontade no papel de presidente de empresa — mas um presidente que ainda não está tão preocupado com as receitas. Falou da ambição de conectar todas as pessoas do mundo e comparou a cultura hacker do Facebook com o “academicismo” do Google. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.

EXAME - Você diz que essa onda social da internet vai mudar muitos negócios. O que isso significa?

Mark Zuckerberg - Você pode usar o iTunes para ouvir música, o Flick para fotos. Mas o que importa mesmo são as fotos de seus amigos. Você quer saber que músicas eles estão ouvindo. Existe um serviço chamado Spotify, muito popular na Europa, com cerca de 10 milhões de pessoas. Você consegue, pelo Facebook, saber o que seus amigos estão escutando. Às vezes isso é mais interessante que as próprias músicas. Tudo o que está relacionado com as pessoas à sua volta é muito mais interessante. Talvez duas, três, dez vezes mais interessante. Os produtos e serviços que forem recriados com isso em mente serão muito mais atraentes. Vai acontecer com a música. Vai acontecer com a TV. Vai acontecer com as notícias, com o comércio eletrônico. Vai levar algum tempo, mas vai acontecer. 

EXAME - Haverá rupturas? As empresas que hoje são dominantes serão ultrapassadas por negócios sociais?

Mark Zuckerberg - Será interessante observar. Líderes não gostam de mudanças no jogo que estão ganhando. As empresas dominantes não costumam ser as grandes inovadoras. Isso aconteceu no caso dos games, por exemplo. A Electroic Arts (uma das maiores produtoras de jogos do mundo) ficou para trás e agora comprou a Playfish (uma das empresas líderes em jogos sociais).

EXAME - Quanto mais gente se cadastra no Facebook, maior o incentivo para que quem não esteja lá dentro entre também. É o efeito de rede. O Facebook vai ser uma espécie de monopólio natural das conexões entre as pessoas na internet?

Mark Zuckerberg - A história mostra que você só ganha se tem o melhor produto. Se esse efeito de rede fosse tão poderoso assim, o MySpace teria vencido. Eles tinham 100 milhões de usuários, nós tínhamos apenas 10 milhões. Se houver um produto melhor, as pessoas vão migrar.

EXAME - O Facebook não vai ficar poderoso demais? Não vai despertar a atenção dos governos, por exemplo?

Mark Zuckerberg - Quem controla as informações é o usuário. Se você colocar uma foto no site, você decide quem vai ver, por exemplo.

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