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Obra da construtora Brookfield em São Paulo: uma das empresas que resistiram às mudanças propostas
Assim como a moral, a transparência é um conceito que não para de se transformar — em suma, um caminho sem linha de chegada. No mercado acionário brasileiro, a evolução nesse quesito na última década foi fenomenal. Num país onde controladores tinham como hábito reinar absolutos, muitas vezes à custa dos acionistas minoritários, a criação do Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo, em 2000, foi um sopro de ar fresco. Com regras mais claras de governança corporativa, empresas e investidores se deram bem. Investidores porque empresas mais transparentes valem mais.
Para as empresas, o benefício foi duplo: além da chance de aumentar seu valor de mercado, fazer parte do Novo Mercado é uma forma de polir sua imagem. Diante das transformações da última década, era natural que se quisesse dar o passo seguinte, para aproximar o mercado brasileiro dos padrões observados, por exemplo, nas bolsas europeias. De 2008 para cá, a BM&F Bovespa propôs uma série de mudanças que acabariam por levar a transparência das empresas brasileiras a um novo patamar. Mas eis aqui a má notícia — consultadas, as companhias disseram, praticamente em uníssono, “não, obrigado”.
O último capítulo do confronto entre empresas e a bolsa aconteceu em novembro. A BM&F Bovespa pretendia mitigar um dos principais problemas do Novo Mercado: a ausência de uma regra que determine com clareza quando o controle de uma empresa trocou de mãos e os efeitos disso para os investidores. De formas diferentes, essa dúvida já gerou situações de descontentamento por parte dos minoritários. Na compra da Tenda pela Gafisa, por exemplo, os acionistas se organizaram para discutir o formato da negociação — apesar de a Tenda ter mudado de mãos, a operação não foi considerada uma troca de controle, e os minoritários reclamaram por não ter recebido uma oferta por suas ações durante a negociação. A bolsa sugeriu criar regras claras para situações desse tipo. Pelo que foi sugerido, sempre que um acionista atingisse 30% de participação no capital de uma empresa, deveria lançar uma oferta pública pelas ações de todos os outros acionistas. É assim que acontece na Europa. Foram meses de conversas, até que, no dia 5 de novembro, saiu o resultado final da votação — não.
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