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Internet | 30/11/2010 17:04

Ao vivo, em cores e na rede

A transmissão de vídeos em tempo real na internet chega finalmente ao mainstream

André Faust, EXAME

Ao contrário de outros fenômenos recentes da internet, o boom dos vídeos ao vivo não está associado a nenhuma tecnologia em particular. Trata-se da evolução de todo um quadro, que tem como principais vetores a melhoria global dos serviços de banda larga e de algoritmos de compressão dos vídeos (a tecnologia que determina o tamanho dos arquivos de vídeo). Um estudo publicado recentemente pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, avaliou a qualidade da conexão de internet de 72 países. Em todos eles, detectou-se uma melhora geral de 49% nos serviços de banda larga nos últimos três anos. Hoje, 48 países, Brasil incluído, já estariam usufruindo com qualidade os principais serviços de internet existentes — transmissão de vídeo de baixa definição e videoconferência básica entre eles. Em 2008, eram apenas 18. Ainda, outros 14 países estariam preparados para o que foi chamado de “aplicações do amanhã”, que inclui serviços como TV de alta definição por IP e comunicação em vídeo de alta qualidade (em 2008, o único país da lista era o Japão).

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O usufruto de ferramentas de vídeo ao vivo pela internet, como se vê, ocorre em diferentes estágios mundo afora. No Brasil, os benefícios da melhoria da banda larga podem ser verificados sobretudo em empresas que há tempos usam serviços de vídeo. Há cinco anos, a Fundação Getulio Vargas começou a ministrar cursos de pós-graduação com esse tipo de ferramenta. No início, sempre que um professor dizia “boa noite” em sala de aula, a saudação era ouvida pelos alunos em sua casa ou escritório até 30 segundos depois. Pequenas dúvidas dos estudantes causavam longas interrupções, e o atraso teve de ser incorporado ao ritmo das aulas. “Era preciso dosar o timing de tudo”, diz Stavros Xanthopoylos, diretor da FGV Online. Com o avanço das tecnologias, as aulas ficaram mais interativas e produtivas. As turmas puderam aumentar de 30 para mais de 200 alunos. “Hoje as aulas funcionam praticamente em sincronia”, afirma Xanthopoylos.

As grandes novidades do segmento de chat em vídeo, porém, deverão surgir a partir de agora em dispositivos móveis. O iPhone 4, lançado oficialmente em julho, é o primeiro aparelho da Apple a suportar o Facetime, um aplicativo de conversação em vídeo. Atualmente, o serviço funciona apenas através de redes Wi-Fi. O Galaxy Tab, tablet recém-lançado da Samsung, já vem de fábrica com uma ferramenta de chat em vídeo que funciona sobre redes 3G, desenvolvido pela americana Polycom. A popularização desse tipo de serviço tem chamado a atenção de fornecedoras de sistemas de telepresença corporativa. Em outubro, a Cisco lançou no mercado americano sua primeira solução de telepresença para usuários residenciais, um aparelho que pode ser acoplado ao televisor e à internet. “O consumidor final está cada vez mais poderoso”, diz Anderson André, diretor na Cisco no Brasil. “Negócios como esse hoje fazem sentido.”

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