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Gestão à Vista | 25/08/2010 10:12

Como se constroi um sonho

Marcelo Calenda

Como se constroi um sonho

1 - A maioria das organizações se preocupa em desenvolver nos funcionários o senso de função, deixando o senso de missão em segundo plano. É possível estimular as duas coisas? Carlos Rocha, Fortaleza

É preciso esclarecer uma coisa logo de cara — não existe nada errado com o senso de função. O primeiro passo para um profissional é conhecer os procedimentos-padrão existentes na empresa em que trabalha e se preparar para o dia a dia. Faço essa ressalva porque tudo isso é muito fácil de falar, mas nem sempre é feito. Grande parte das companhias (mesmo as grandes) não tem processos padronizados ou, quando os tem, os padrões são complexos ou desatualizados.

Agora vem o que você chama de senso de missão. Podemos chamar isso de sonho ou aspiração — e consiste em algo tão fundamental quanto o senso de função. No entanto, é rara a empresa que consegue desenvolver uma aspiração real, aquele sonho genuíno e não “da boca para fora”. Com o passar do tempo, as pessoas percebem muito bem o que é — e o que não é — genuíno. Um sonho para virar realidade dentro de uma empresa precisa ser estabelecido como algo a ser atingido e perseguido por meio de uma meta maior, para os próximos cinco ou dez anos. Mesmo que esse objetivo pareça distante e “impossível” hoje, ao se estabelecer planos de ação e execução para cada funcionário, as metas impossíveis podem virar realidade. Distribuir essas metas (que sejam mais tarde recompensadas) por todos é uma maneira de envolver a equipe em torno dessa aspiração.

Trata-se de um aspecto profundamente estudado pelo psicólogo americano Abraham H. Maslow: as pessoas definitivamente não trabalham somente pelo dinheiro. Para nossa estabilidade emocional, precisamos ter outras necessidades satisfeitas. Uma dessas necessidades é o que Maslow define como “necessidades sociais”. Precisamos sentir que pertencemos a um grupo — e ter um sonho genuíno comum é um forte fator de união. O grande problema nesse tipo de assunto é que as pessoas são aconselhadas a estabelecer um sonho comum, mas ao longo do tempo todas percebem que aquilo não passa de puro discurso. “Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno”, como dizem meus amigos da ABInBev. Vamos sonhar grande e ter a satisfação de quem atinge o cume de uma montanha ou conquista uma medalha. Dá um trabalho danado chegar lá, mas vale o momento.

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