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A usina de Santo Antônio avança em meio à floresta: o rio Madeira deverá ser o sexto polo hidrelétrico do mundo
Porto Velho - Sete quilômetros a sudoeste de Porto Velho, capital de Rondônia, o rio Madeira faz uma curva caprichosa em forma de cotovelo. Ali, em sua margem direita, esquecida no meio do mato, desponta a carcaça dos vagões da estrada de ferro Madeira-Mamoré, erguida há um século por encomenda do governo brasileiro para cumprir um acordo com a Bolívia.
Hoje, a sucata testemunha a construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, um dos maiores e mais desafiantes canteiros de obras do país. A empreitada, de 13,5 bilhões de reais, é comandada pela construtora Odebrecht em parceria com a Andrade Gutierrez. Em meio à insalubridade equatorial, driblando o calor, os mosquitos e as tempestades, mais de 8 000 homens e mulheres, 7 000 deles de Rondônia, encaram uma jornada frenética.
Enquanto equipes de detonação e escavação se revezam esculpindo o granito do leito e das margens do rio para receber a barragem, outras se equilibram como alpinistas, escalando até 50 metros para costurar o esqueleto de aço que irá abrigar as turbinas da hidrelétrica. Logo que a armação metálica termina, começa a concretagem.
Quando estiver pronta, a hidrelétrica terá consumido 3,1 milhões de metros cúbicos de concreto, o suficiente para colocar de pé 37 estádios como o Maracanã. Ao contrário da ferrovia Madeira-Mamoré - um projeto deficitário erguido em regime de trabalho semiescravo e desativado nos anos 60 -, a usina de Santo Antônio está cercada de cuidados para não dar errado. "Não temos o direito de fracassar", diz Marcelo Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht. "O sucesso de Santo Antônio é indispensável para consolidar a nova fronteira hidrelétrica do país."
ser construída desde os anos 80, quando foram inauguradas Itaipu e Tucuruí, Santo Antônio nasce com três missões de vulto. A primeira é fornecer parte da energia limpa que o Brasil precisará para crescer nas próximas décadas. Em 2014, quando tiver suas 44 turbinas acionadas pelas águas velozes e barrentas do Madeira, a usina deverá produzir energia suficiente para atender 10 milhões de pessoas.
Ainda que a região centro-sul do país venha a ser a maior consumidora, a Amazônia também será beneficiada. Hoje, a termelétrica de Porto Velho, que abastece boa parte de Rondônia, consome 1 milhão de litros de óleo por dia. Com energia limpa, Rondônia, um estado que já teve 40% das florestas devastadas para abrigar 12 milhões de cabeças de boi, poderá desenvolver uma economia mais sustentável.
A segunda missão é provar que um megaprojeto de infraestrutura como esse pode ser feito em ple na Amazônia, que concentra dois terços do potencial hídrico inexplorado do país e é também o mais rico e vulnerável de seus biomas. À frente desses desafios está o consórcio concessionário da usina, o Santo Antônio Energia - formado pelas estatais Furnas e Cemig, pelo fundo FI FGTS, que é administrado pela Caixa Econômica Federal, pelo banco Banif e pelos grupos Odebrecht e Andrade Gutierrez.
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