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Cultura | 17/03/2010 11:34

Os multiplicadores de talentos

No banco Garantia, eles formavam jovens milionários. Hoje, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira se dedicam a uma rede de multiplicação de talentos que vai muito além - de estudantes universitários a gestores públicos

Cristiane Correa, de
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REGIS FILHO

Banco Garantia foi o começo de tudo

Jorge Paulo Lemann: fundador do Banco Garantia e mentor de Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, que se tornariam seus sócios

Nas últimas três décadas, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira construíram juntos negócios memoráveis. Nos anos 70 e 80, ganharam fama com o Garantia, o mítico banco de investimento que inaugurou no Brasil o conceito de meritocracia. Em 1993, fundaram a GP Investimentos, que viria a se tornar a maior empresa de private equity da América Latina. O trio também daria tiros certeiros no mundo "real".

Em 1982, Lemann, Telles e Sicupira compraram a Lojas Americanas, uma das grandes cadeias de varejo do país. Não sabiam nada sobre o setor. Mas foram aprender com quem transformara um mercadinho de Bentonville, no Arkansas, na maior rede varejista do mundo. Os mandamentos de Sam Walton foram fundamentais para reorganizar a Americanas.

Passados quase 20 anos, ela é hoje uma das maiores empresas desse mercado - na internet tem liderança absoluta com as marcas Americanas. com e Submarino. Nenhuma empreitada do trio, porém, é tão conhecida atualmente quanto a ABInBev, a maior cervejaria do mundo, da qual Lemann, Telles e Sicupira são os maiores acionistas individuais.

A construção desse gigante global começou em 1989, com a compra da antiga Brahma. Depois de duas grandes fusões - com a antiga rival Antarctica e depois com a belga Interbrew -, eles conseguiram dar o golpe final, comprando a Anheuser-Busch, um ícone americano. Finanças. Varejo. Cerveja. O que esses três setores têm em comum?

Aparentemente, nada. Para Lemann, Telles e Sicupira, tudo. Nesses grandes negócios - e em todos os outros em que investiram seu tempo e dinheiro -, eles buscaram obsessivamente contar com as melhores pessoas. O que em muitas companhias não passa de bláblá- blá corporativo, para o trio sempre representou o alicerce.

Nos últimos anos, essa premissa começou a extrapolar os limites de seus negócios - ainda que os programas de formação dentro das companhias, como o de trainees da AmBev, continuem sendo vistos como vitais para a perpetuação do sucesso. Hoje, Lemann, Telles e Sicupira têm uma rede que conta com fundações para promover o desenvolvimento de empreendedores, de estudantes universitários e até de professores da rede pública.

"Essa máquina de multiplicação de talentos não visa só aos nossos interesses comerciais. Ela visa à nossa satisfação filantrópica e à construção de um Brasil melhor", costuma afirmar Lemann, que hoje dedica quase 25% de seu tempo a essas iniciativas.

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