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Especial Copa - Estádios | 09/12/2009 11:30

O estádio do século 21

Até pouco tempo, os estádios de futebol eram basicamente iguais aos antigos coliseus romanos. Agora, a tecnologia tenta resolver um problema que persiste desde então - como torná-los a um só tempo agradáveis ao espectador e rentáveis ao investidor.

ANDRÉ FAUST, Revista EXAME
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Allianz Arena, em Munique

Show de luzes após jogo no Allianz Arena, em Munique: estádio como um espetáculo à parte

De todas as casas de espetáculo construídas pelo homem, talvez nenhuma iguale a história de êxito do Coliseu de Roma. Inaugurado no final do século 1, ele foi palco de eventos tão diversos quanto apresentações de teatro, simulações de batalha naval e duelos de gladiadores. Seus espetáculos eram sucesso de público - os jogos frequentemente atraíam os 50 000 espectadores de sua capacidade máxima. A hegemonia do Coliseu como centro do entretenimento romano durou mais de cinco séculos. Mesmo quando deixou de sediar eventos, no início da era medieval, a estrutura não ficou inutilizada. Serviu de moradia, de templo, de prisão e até de cemitério.

Por fim, entrou para a história como um dos maiores símbolos do Império Romano e até hoje povoa nossa imaginação. Apesar de tantas glórias, o Coliseu não rendeu ao império um único sestércio, a menos valorizada das moedas romanas. Ao contrário, custava uma fortuna ao orçamento, já que os cidadãos assistiam de graça aos espetáculos. Vinte séculos depois, o homem mantém o hábito de frequentar - e construir- estádios. O desenho das arquibancadas, o posicionamento do palco central - muitos dos princípios básicos são iguais aos arquitetados na Antiguidade.

Com o tempo, os gladiadores deram lugar ao fair play, os jogos passaram a ser cobrados e hoje competem com centenas de opções de entretenimento. Mas, em pleno século 21, ainda lutamos para tornar o estádio um empreendimento não só interessante ao espectador, mas também rentável aos investidores e proprietários.Embora não exista consenso em torno do conceito de estádio moderno, não faltam pistas sobre como eles poderão se parecer no futuro. Palco da abertura da Copa do Mundo da Alemanha em2006, o Allianz Arena, de Munique, é um desses exemplos. O novo estádio do Bayern foi muito além das exigências da Fifa para sediar o evento.

A comodidade começa no caminho para o jogo- além de uma estação de metrô a poucos metros dos portões de entrada, no seu entorno está localizado o maior estacionamento da Europa. Do lado de dentro, assentos confortáveis e arquibancadas próximas ao gramado proporcionam uma visão do campo sem pontos cegos. Todos os lugares são numerados e cobertos. Detalhes de lances da partida podem ser acompanhados em telões gigantes, à maneira dos jogos de basquete da NBA, nos Estados Unidos.

Um potente sistema de som participa da comemoração dos gols, anuncia substituições e faz a trilha sonora nos intervalos. Projetado para aproveitar a luz natural e captar a água das chuvas, o Allianz Arena se alinha com medidas de sustentabilidade ambiental - exigência da Fifa que virou tendência em estádios modernos. “Conheço quase todos os estádios do mundo e nunca vi um como este”, disse Franz Beckenbauer, eterno imperador do futebol alemão e maior autoridade da Copa da Alemanha, na ocasião da inauguração da arena. "É um salto quântico."

O Allianz Arena representa uma concepção de eventos esportivos segundo a qual o estádio é uma atração à parte. A estratégia tem mostrado força em tempos de pay-per-view - quando não é fácil convencer o espectador a trocar o sofá da sala por um lugar na arquibancada. A média de lotação dos jogos do Bayern no novo estádio hoje beira 100%, e os camarotes estão esgotados para as partidas dos próximos dois anos. Em 2008, o faturamento do clube com o estádio foi de 105 milhões de dólares, suficiente para cobrir com folga sua operação e manutenção e deixar algum lucro. No Brasil, o estádio com maior faturamento é o Morumbi, que rendeu ao São Paulo 21 milhões de dólares em 2008.  

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