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Expansão | 26/11/2009 00:01

Surge um mercado bilionário com seguros

Esta é a melhor fase do setor de seguros no Brasil. As companhias se preparam para dar um salto garantindo obras gigantescas, como as da Copa e do PAC, e atraindo milhões de brasileiros que nunca tiveram seguro

Giuliana Napolitano e Juliana Garçon, de
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Campo de Tupi, da Petrobras: os projetos do pré-sal não saem do papel sem seguro

A usina hidrelétrica Santo Antônio, em construção em Rondônia, tem hoje o maior seguro do país. Somados todos os riscos do projeto, que prevê investimentos de 14 bilhões de reais até 2012, a apólice custou cerca de 180 milhões de reais às empresas envolvidas na obra -- entre elas a construtora Norberto Odebrecht e a estatal de energia Furnas. Em pouco tempo, porém, é provável que a hidrelétrica do rio Madeira perca a primeira posição no ranking.

No pacote de obras ligadas à Copa do Mundo, à Olimpíada, ao PAC e à exploração da camada do pré-sal, já existem quatro projetos maiores do que o de Santo Antônio -- os de duas refinarias, o da usina Belo Monte e o do trem-bala Rio-São Paulo -- e a expectativa é de novos anúncios gigantescos daqui para a frente. Ao todo, estimativas conservadoras indicam que haverá investimentos de 300 bilhões de reais em infraestrutura no Brasil nos próximos seis anos. "Jamais vimos tanta coisa para acontecer em tão pouco tempo no país", diz Antonio Trindade, diretor de produtos empresariais da seguradora Itaú Unibanco, que lidera o segmento de apólices para grandes obras.

 
Um exemplo de como isso funciona ocorreu em 2007, em São Paulo, quando um canteiro de obras da Linha 4 do metrô paulistano desabou. Sete pessoas morreram, moradores de casas próximas foram desalojados, carros foram danificados, a construção atrasou e estima-se que o Unibanco, que tinha o seguro do projeto, tenha pago cerca de 40 milhões de reais em indenizações.

Os estrangeiros investem

O fato é que o setor vive hoje a melhor fase de sua história no país. Em 2008, enquanto o mercado mundial de seguros sofreu queda de 3% em termos reais, o brasileiro cresceu 7%. Neste ano, estima-se que o crescimento por aqui chegue a 10%. Uma pesquisa exclusiva da consultoria Accenture feita com 104 seguradoras em 16 países mostra que 62% delas planejam crescer fora de seus mercados-sede -- e que os países do Bric estão no topo da lista de prioridades. "Os executivos dessas seguradoras sabem que as chances reais de crescimento estão fora dos países desenvolvidos", diz Silas Devai, responsável pela área de finanças da Accenture. É provável que isso explique a recente agressividade das seguradoras estrangeiras no Brasil. A americana Liberty contratou nove executivos no país e no exterior para montar uma divisão de apólices empresariais. A japonesa Tokio Marine tem quase 700 milhões de reais para aplicar na operação brasileira. A alemã Allianz, uma das líderes do mundo, colocou como meta dobrar a carteira de seguros para grandes obras -- comenta-se que a empresa estaria estudando uma parceria com o Itaú Unibanco, que encerrou recentemente um acordo com a XL Capital (as companhias negam).

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