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Reengenharia | 22/03/2007 11:36

A Taurus dá adeus às armas

A empresa deixou de lado seu maior mercado e entrou em segmentos inexplorados -- até agora funcionou

Suzana Naiditch, exame

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Estima, da Taurus: pressão insuportável

Poucas decisões são tão arriscadas para uma empresa quanto dar adeus a seu ganha-pão e passar a apostar em uma inteiramente nova linha de produtos. Fundada em 1939, a Taurus, maior fabricante de armas do país, vem fazendo exatamente isso. Em 2003, seus executivos perceberam que o mercado de armas, então em franco declínio, os levaria à bancarrota.

Tomou-se, então, a decisão de aplicar toda a capacidade da companhia num processo de diversificação, que incluiu a fabricação de novos produtos e a aquisição de outras empresas. A estratégia custou mais de 100 milhões de reais, e só agora os resultados começaram a aparecer. Nos últimos três anos, a participação das pistolas e revólveres no faturamento da Taurus caiu de 80% para 58% -- e a tendência é de uma queda ainda mais acentuada daqui para a frente.

"A pressão que vínhamos sofrendo como fabricante de armas nos empurrou para a diversificação", diz Luís Fernando Estima, presidente da Taurus. "Conseguimos tornar a empresa mais equilibrada."

Além de reduzir a dependência de um só produto, a mudança de rumo da Taurus refletiu-se na última linha de seu balanço. O lucro, superior a 30 milhões de reais, foi quase 70% maior que o do ano anterior. E a empresa, que vinha andando de lado, voltou a crescer -- um feito comemorado internamente, já que 2005 foi considerado um dos anos mais difíceis da história da Taurus.

Às vésperas do referendo que decidiu que os brasileiros eram a favor do comércio de armas, o então presidente da Taurus, Carlos Murgel, morreu. A mudança na liderança da empresa veio no pior momento do mercado nacional de armas (e isso apesar da vitória no referendo).

Nos anos anteriores, o setor havia sofrido uma série de restrições legais, como a proibição de fazer publicidade. Em razão dessas limitações, a quantidade de armas legais comercializadas anualmente para civis no Brasil caiu de 49 000 para 12 000 unidades entre 1995 e 2005.

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