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19/10/2006 20:50

Um concorrente para a Starbucks

Oferecendo integração social e produtos naturais, o belga Alain Coumont ergueu a Le Pain Quotidien, rede de restaurantes que fatura 80 milhões de dólares por ano

Tânia Menai e de Bruxelas, exame

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"Alimentos que nascem de um solo orgânico armazenam muito mais nutrientes e sabor": Alain Coumont

Numa cidade individualista como Nova York, é difícil imaginar alguém dividindo, feliz da vida, uma mesa de restaurante com 30 desconhecidos. Mas talvez seja esse ambiente comunitário um dos segredos do sucesso da cadeia belga Le Pain Quotidien. Com 16 anos de história e 23 restaurantes na Bélgica, a marca entrou nos Estados Unidos em 1997 e hoje mantém 18 franquias em Manhattan e outras oito em Los Angeles. Na Europa, está presente em cidades como Roma, Londres e Genebra. Só na França são 16 filiais. A expansão continua por Beirute, Istambul, Kuwait e Moscou. Neste ano, a Le Pain Quotidien deve colher um faturamento de 80 milhões de dólares -- 45% mais em relação a 2005. O desafio agora é não deixar que a expansão global prejudique a cultura que está na base do sucesso do negócio.

Confira aqui a relação completa, incluindo organização por setor econômico e Estado, das empresas classificadas

"Aqui, nada é complicado -- não usamos fritura, não servimos bife nem utilizamos forno", disse a EXAME PME Harry De Landtsheer, responsável pelos restaurantes na Bélgica. "O máximo que fazemos é esquentar a sopa." Por que a Le Pain Quotidien está, então, sendo tão bem recebida pelos consumidores? Em certa medida, Alain Coumont, de 43 anos, o chef que criou esse pequeno império gastronômico, está no mesmo caminho trilhado por Howard Schultz, fundador da Starbucks, a maior cadeia de cafeterias do mundo. Em comum, os dois negócios têm o conceito de, bem mais do que fornecer alimentos, proporcionar um espaço propício à integração social entre clientes.

Coumont, que estudou hotelaria e já trabalhou nas melhores cozinhas da França, optou pelo vôo-solo ao abrir o próprio restaurante em Bruxelas. Insatisfeito com os fornecedores de pães, resolveu, literal mente, colocar a mão na massa. Convencido de que havia encontrado sua vocação, fechou o restaurante e criou, em 1990, a Le Pain Quotidien.

Até hoje, todas as lojas da rede mantêm o espírito da primeira: um balcão onde são vendidos pâtisseries e pães, uma mesa gigante de madeira e prateleiras de produtos orgânicos, como temperos, chás, mel e café, que podem ser comprados, o que eleva o faturamento. Dono de uma fazenda na França, Coumont é apaixonado por produtos frescos. "Alimentos que nascem de um solo orgânico armazenam muito mais nutrientes e sabor", diz ele.

A identidade da Le Pain Quotidien está assentada em três pilares. O primeiro são as mesas coletivas, que estimulam a socialização entre os comensais e maximizam o aproveitamento do espaço. O segundo é a padronização da charmosa arquitetura de seus mais de 70 estabelecimentos. Por fim, em diferentes países, os franqueados podem adaptar o cardápio à cultura local, desde que não comprometam a proposta original. O croissant nos Estados Unidos é 50% maior do que na Europa, por exemplo. E enquanto o waffle é uma das iguarias mais disputadas em Nova York, nas unidades da Bélgica ele nem é servido.

Abertas para café da manhã, brunch e almoço, as lojas fecham às 6 da tarde e nelas é proibido fumar. A prioridade, segundo Landtsheer, é caprichar no serviço, dar atenção ao público e garantir o astral do lugar. "Aqui não há promoções tipo pague um e leve dois, nem nada que lembre um McLe Pain Quotidien", diz. Os sanduíches, abertos e decorados, misturam camarão com abacate, queijos e mostardas. São servidos sobre tábuas e consumidos com garfo e faca. O café com leite vem em taças sem alça e a louça é feita especialmente para a marca. O Zagat Survey, bíblia gastronômica nos Estados Unidos, define a Le Pain Quotidien como "um paraíso para amantes de pães e doces". O jornal The New York Times também elogiou: "Essa padaria belga serve waffles, pães e doces excepcionais em um bonito salão que lembra uma fazenda".

Quando planeja entrar em um novo país, Coumont procura primeiro os melhores fornecedores. Quando não os encontra no local, ele exporta os próprios talentos. No caso do Kuwait, ele levou os padeiros. A origem das matérias-primas é globalizada. Há azeite extravirgem artesanal da Tunísia e café orgânico do Peru. E quando a Le Pain Quotidien virá para o Brasil? "Por enquanto, não há planos de expansão para a América Latina", diz Landtsheer. "Mas estamos sempre abertos a conversas."

Os pilares da empresa
Três pontos fortes da proposta da rede belga Le Pain Quotidien
Network
Há mesas coletivas para até 30 pessoas. Isso permite o aproveitamento de espaço e estimula a socialização entre clientes
Pensamento global
A arquitetura de todos os estabelecimentos é a mesma. As matérias-primas orgânicas vêm de diversos países
Ação local
Nos dez países em que a empresa atua há parceiros responsáveis por adaptar o cardápio à cultura local

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