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19/04/2005 16:26

Ele ganhou, mas não levou

A vida de Cláudio Vaz, que perdeu a Fiesp e ficou com o pouco expressivo Ciesp

O empresário Cláudio Vaz descobriu nos últimos meses a diferença que faz uma única letra. Se tivesse vencido a eleição para a presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), talvez estivesse discutindo a taxa de juro com o ministro da Fazenda, o patamar do câmbio com o do Desenvolvimento ou pedindo audiência ao presidente da República. Como perdeu a eleição da Fiesp para Paulo Skaf e foi eleito presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), seu dia-a-dia tornou-se bem menos glamuroso. No comando do Ciesp, associação independente de empresários que oferece cursos, assessoria jurídica e outros serviços, Vaz pode estar pela manhã em Presidente Prudente, à tarde em Araçatuba, no dia seguinte em São José do Rio Preto e à noite em Araraquara, cidades médias do interior paulista. Visita o chão de fábrica, participa de debates sobre temas relacionados à indústria e se encontra com políticos locais. Vaz administra um orçamento anual de 25 milhões de reais, proveniente da contribuição voluntária das 8 000 empresas associadas -- cada uma paga algo como um salário mínimo mensal à entidade. O orçamento da Fiesp, alimentado por repasses do governo, chega a 1 bilhão de reais. É a diferença que uma letra faz.

É a primeira vez que as divergências políticas dentro da Fiesp resultaram numa situação em que o presidente do Ciesp e o da Fiesp não são a mesma pessoa. "Se qualquer outro estivesse no Ciesp, eu diria que a entidade perdeu ao se separar da Fiesp", afirma Paulo Butori, presidente do Sindipeças, entidade que reúne as fornecedoras de autopeças, e correligionário de Vaz. "Com o Cláudio, existem chances de se fazer um bom trabalho." No mês passado, em parceria com o Banco Pactual, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e o Sindipeças, o Ciesp lançou um fundo para que empresas de médio e pequeno portes do setor eletroeletrônico e de autopeças captem recursos a juros menores.

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