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24/02/2005 16:53

Cervejaria Petrópolis, o mais novo incômodo

A cervejaria Petrópolis começa a atrapalhar concorrentes tradicionais com as mesmas armas que a Schincariol usou no passado

As marcas da cervejaria Petrópolis -- Crystal, Itaipava e Petra -- não aparecem no horário nobre da TV, no qual as concorrentes tradicionais costumam digladiar-se. As armas de marketing da empresa, criada no final da década de 90, são basicamente cartazes em bares e degustação em supermercados. O preço é sempre mais baixo do que o dos competidores.

Assim, de maneira discreta, porém agressiva, a Petrópolis, cujas vendas chegaram a 169 milhões de reais em 2004, ganha espaço rapidamente no disputado mercado brasileiro de cervejas. A Itaipava e a Crystal estrearam em dezembro de 2003 entre as dez marcas mais vendidas no mapa de avaliação da ACNielsen, com 1,4% do volume total. Atualmente as duas marcas possuem juntas 4,2%. Em algumas regiões, como a de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, a Crystal ocupa a liderança nas vendas, com cerca de 40% de participação. Numa das maiores redes de varejo de São Paulo, a Itaipava é a segunda marca mais vendida, atrás apenas da Skol, da Ambev.

A Petrópolis exerce um papel semelhante ao da Schincariol até alguns anos atrás. Ambas surgiram de maneira aparentemente despretensiosa e logo incomodaram as grandes, com uma tática de guerrilha associada à distribuição eficiente. E, como no caso da Schin nos primeiros anos de vida, a Petrópolis é alvo de acusações de sonegar impostos para sustentar preços até 30% mais baixos que os da concorrência. "Ou é sonegação, ou é um milagre comercial", diz o dono de uma distribuidora de uma das marcas líderes. Em 2004, a Petrópolis foi apontada pelo Ministério Público em Minas Gerais como emissora de notas fiscais falsas numa investigação ainda não concluída. A Petrópolis alega que já instalou contadores de hectolitros nas linhas de produção, o que tornaria inviável qualquer tipo de burla ao Fisco.

No mercado, já se fala que a Petrópolis é uma espécie de Schin da Schincariol, hoje dona de respeitável fatia do mercado e que, por isso mesmo, se vê obrigada a adotar os mesmos expedie ntes estratégicos das líderes. Esse movimento abre espaço para quem está embaixo. Enquanto a Petrópolis ganhou participação no ano passado, a Schin caiu de 13,8% para 10,7%. A Schincariol, originalmente uma fabricante de tubaína fundada nos anos 30 em Itu, no interior paulista, lançou sua marca de cerveja em 1989.

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