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23/06/2004 18:41

As que mais cresceram

Estar voltado para o exterior foi decisivo para se destacar. Empresas dependentes do mercado interno, como as construtoras, encolheram

Das 20 empresas que mais cresceram no Brasil em 2003, apenas três são estatais e sete têm controle estrangeiro. A número 1 em crescimento foi a Siemens Eletroeletrônica, empresa do grupo alemão Siemens que atua na fabricação de telefones celulares. Instalada em Manaus desde 2002, a Siemens Eletroeletrônica é hoje a líder de mercado em aparelhos com tecnologia GSM (utilizada pelas operadoras Oi, TIM e Claro). Seu desempenho tem chamado a atenção da matriz, que há poucos meses decidiu investir 40 milhões de dólares para duplicar a fábrica. "Teremos capacidade para produzir 8 milhões de aparelhos por ano", afirma Adilson Primo, presidente da Siemens no Brasil.

Com a ampliação, a operação brasileira subirá de status no grupo, nivelando-se às fábricas da Alemanha e da China. Mais da metade da produção de Manaus deverá ser exportada, abastecendo basicamente o continente americano. "O Brasil é hoje uma das plataformas mundiais do grupo Siemens", afirma Primo.

A exportação -- ou a atuação no exterior --, foi um fator decisivo para o desenvolvimento da maioria das empresas que se destacaram na lista das que mais cresceram. Tome o caso da Gerdau, uma das maiores produtoras de aço das Américas, com fábrica nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Chile e Uruguai. Em 2003, cerca de 70% da produção brasileira da Gerdau foi destinada ao mercado externo. Paralelamente, a empresa conseguiu crescer também nos países em que mantém fábrica. Com isso, dos 15,8 bilhões de reais que o grupo faturou no ano passado, 43% vieram das empresas que atuam em outros países.

A Coinbra Frutesp, controlada pelo grupo francês Louis Dreyfus, também se destacou pelas exportações. Com duas fábricas para esmagamento de cítricos instaladas no interior paulista, a empresa hoje tem mais de 300 clientes espalhados em 65 países e tornou-se a terceira maior exportadora de sucos cítricos do país. De acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos, as vendas para o exterior devem continuar em alta. As exportações na safra 2003/2004 devem alcançar 1,2 milhão de toneladas, ante 1 milhão embarcadas em 2002/2003. O desafio de empresas como a Coinbra Frutesp e as concorrentes Cutrale e Citrosuco é explorar novos mercados externos, como o Leste Europeu e a China.

Entre as empresas com capital brasileiro, a que mais cresceu foi a Gol. Fundada em janeiro de 2001, a companhia aérea baseada no modelo custo baixo/tarifa baixa, consagrado por empresas como a americana Southwest Airlines e a inglesa EasyJet, rapidamente se tornou um sucesso na aviação comercial brasileira. Em 2003, enquanto TAM e Varig ensaiaram uma fusão que pudesse ajudá-las a sair da crise, a Gol voou alto, atingindo um crescimento de 67,4%. Isso num ano em que a aviação civil encolheu 6% no país.

E quais as empresas que perderam terreno? As grandes construtoras, por exemplo. Com o PIB da construção civil encolhendo 9% em 2003, empresas como OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez sofreram. Esta última, por sinal, já esteve na lista das empresas que mais encolheram em 2002 (naquele ano a retração foi de 21,1%).

A carioca Sendas, quinta maior rede varejista do Brasil, é outra empresa que está na lista há dois anos consecutivos. Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados, a participação da Sendas no setor caiu de 3,2% para 2,6%. Sua falta de fôlego para crescer foi justamente um dos fatores que a tornaram um alvo atraente para as gigantes do setor. Quem levou a melhor na disputa foi o Pão de Açúcar, que no fim de 2003 se associou à rede carioca para criar a Sendas Distribuidora. A nova empresa conta agora com 106 lojas, sendo 17 hipermercados e 89 supermercados. A gestão da companhia ficou com o Pão de Açúcar.

O maior encolhimento entre as 500 empresas foi o da Cisa Trading, empresa que trabalha com a importação de uma série de itens -- de automóveis a equipamentos de telecomunicações -- , cuja receita diminuiu 72,7% no último ano. Essa retração, porém, pode ser explicada por mudanças recentes na legislação. Até 2002, as operações de importação da Cisa eram realizadas da seguinte forma: a empresa comprava mercadorias no exterior e as vendia no Brasil a seus clientes. Assim, faturava o valor total da importação. Com a nova regulamentação, a Cisa começou a realizar operações em que não precisa comprar e vender, fazendo apenas a transmissão da posse da mercadoria. "É por isso que o faturamento caiu, mas nosso resultado foi bom", afirma o português Antonio Pargana, presidente da Cisa Trading. De fato, a empresa registrou lucro líquido ajustado de 21,3 milhões de dólares. "É praticamento o que lucramos no ano passado", afirma Pargana.

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