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No final de junho, o executivo carioca Fernando Tigre foi anunciado como o novo presidente da Kaiser, a terceira maior cervejaria brasileira. O anúncio surpreendeu o mercado. Tigre deixara para trás a presidência do conselho de administração das empresas industriais do grupo Camargo Corrêa e um histórico de êxitos à frente da Alpargatas, uma das principais companhias brasileiras. Sua posição era, portanto, confortável dentro dos limites de suas responsabilidades. E conforto é tudo o que Tigre não terá na Kaiser.
Ele chega num momento que combina crise e indefinição. A crise pode ser medida pelos números. Desde que foi comprada pela canadense Molson, em março de 2002, a Kaiser entrou em declínio. Sua participação de mercado encolheu quase 7 pontos percentuais nesse período e a histórica vice-liderança de mercado foi perdida para a Schincariol.
Em seu último ano fiscal, encerrado em março, a cervejaria registrou um Ebitda negativo de 2,9 milhões de dólares. Hoje a Kaiser representa metade do volume total de cerveja produzido pelo grupo Molson e apenas 25% do faturamento. Os maus resultados provocaram desdobramentos na direção da companhia.
Nas últimas semanas, três de seus principais diretores -- Marcus Portos, da área comercial, André Rodrigues, de finanças, e Rogério Felipe, do departamento jurídico -- deixaram a empresa.
A gestão de crises não é propriamente uma novidade para Tigre. Foi ele o responsável por reestruturar a Alpargatas, vergada por sucessivos anos de prejuízos. Seu maior desafio é justamente a indefinição que ronda os destinos do grupo Molson, controlado pela família de mesmo nome.
Nos últimos tempos, o grupo vem sofrendo com disputas de poder entre duas alas do clã. O confronto gerou especulações de que a Molson poderia ser vendida ou colocaria à venda alguns de seus ativos, entre eles a problemática Kaiser.
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