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Opções financeiras | 11/12/2002 00:00

Câmbio fixo ou flutuante: qual deles é melhor?

Os economistas dizem que tanto o câmbio fixo, do ex-ministro argentino Domingo Cavallo, quanto o flutuante, de Armínio Fraga, têm prós e contras. Mas preferem a flexibilidade do modelo brasileiro

André Lahóz, EXAME

Há poucos anos, quando a Argentina ainda era considerada um país-modelo na América Latina, começou a ganhar força no continente a idéia da dolarização. O Equador, por exemplo, embarcou nela em setembro de 2000. Renomados economistas internacionais, como Robert Barro, da Universidade Harvard, defenderam com vigor que os países da região só teriam a ganhar se fizessem uma união monetária com os Estados Unidos. Foi uma época de ouro para os defensores dos diferentes tipos de câmbio fixo.

De lá para cá, o pêndulo migrou para o lado do câmbio flutuante. As duas maiores economias da América do Sul, Brasil e Argentina, após sofrerem duros ataques especulativos, acabaram optando por desvalorizar as moedas e deixar a cotação do dólar variar de acordo com as forças do mercado.

Por ora, é quase impossível ouvir alguém defendendo abertamente a dolarização. Mas será que a discussão está encerrada? Dá para dizer que o câmbio flutuante é mesmo a melhor opção para os países da região? Ou será que a oscilação do dólar significa um componente extra de volatilidade em países já normalmente instáveis? Essas perguntas estiveram na pauta de um dos encontros do Fórum Econômico Mundial.

Do debate entre economistas e empresários de diferentes países, algumas conclusões foram quase consensuais. O primeiro ponto enfatizado é que não existe regime de câmbio perfeito. Qualquer escolha que se faça traz alguns benefícios e alguns problemas. Veja os dois casos extremos, o câmbio totalmente fixo e o câmbio totalmente flutuante.

No primeiro caso, há resultados muito positivos no campo da inflação. "Dificilmente o Brasil teria tido tanto sucesso no controle da inflação sem a âncora cambial", diz Oswaldo de Assis, sócio do banco Pactual. Por outro lado, é possível conviver por muito tempo com políticas econômicas inconsistentes.

O câmbio fixo "esconde" tais problemas por meses ou anos, mas inevitavelmente a conta chega - e aí normalmente os países já estão mergulhados nas crises econômicas. Já o câmbio flutuante não deixa muito espaço para uma má condução do governo. "Se há um problema evidente, ele rapidamente acaba resultando em um dólar muito caro", diz Assis. "Isso introduz um elemento de pressão sobre os governos."

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