JA USOU SUA ESPADA HOJE?
A vez do executivo samurai
DANIELA DINIZ, de
"Uma empresa só vencerá a crise se todos os funcionários tiverem espírito de samurai, se encararem cada dia como de vida ou morte."
A frase acima é do médico paulista Jorge Kishikawa, de 38 anos, pentacampeão brasileiro de kendo e fundador do Instituto Niten, de São Paulo. No instituto (www.niten.org.br), Kishikawa, conhecido como Sensei Jorge, ensina conhecimentos do kenjutso, uma prática utilizada pelos samurais japoneses na era feudal. Conhecedor das técnicas japonesas desde os 6 anos de idade, ele está levando também para o mundo corporativo os ensinamentos da espada. "No Japão, a maioria das empresas oferece um espaço exclusivo para praticar o kenjutso depois do expediente", diz. "Lá isso é visto como estímulo para o funcionário
e perspectiva de mais lucros para a empresa."
O método brasileiro do Sensei Jorge foi batizado de KIR Empresarial -- K de Ken (espada), I (intensivo) e R (recuperação).
"É a recuperação do potencial humano por meio da espada. Dentro do KIR, todo executivo é um guerreiro samurai." A idéia ocorreu há nove anos, quando Kishikawa começou a ouvir de seus alunos histórias de aplicação da filosofia no ambiente de trabalho. Com esses relatos e alguma inspiração do Livro dos Cinco Anéis, de Miyamoto Musashi, considerado o maior dos samurais, Kishikawa começou a traçar analogias
entre os movimentos do kenjutso
e o dia-a-dia corporativo.
"O KIR é um diferencial competitivo no mercado de trabalho", diz o paulista Marcos Fugulin, de 33 anos, gerente de alianças estratégicas da Intel e um dos alunos de Kishikawa. "Hoje planejo melhor minha rotina e prevejo a atitude do adversário." Ele é tão animado com as aulas que mantém a espada em exibição na mesa de trabalho -- o que lhe rendeu na empresa o apelido de "samurai". E já está em dúvida entre começar um MBA ou intensificar suas aulas de kenjutso. "Para o currículo, sei que o MBA seria mais importante. Mas, na prática, o kenjutso me dá mais."
Veja três práticas do kenjutso que, segundo Kishikawa, podem ser aplicadas na carreira:
A HORA DO ATAQUE As técnicas da luta mostram a importância de saber atacar ou ser atacado. Para Kishikawa, fazer-se de fraco faz parte da estratégia.
"Há momentos em que os executivos desperdiçam sua força, perdem energia por algo que não vale a pena", diz. "Se um executivo usar a espada todo o tempo, será considerado agressivo. Ele deve usá-la no momento certo."
O GRITO Isso é tão fundamental que os antigos samurais chegaram a pesquisar várias formas de grito. "Por meio dele, percebo o receio que os executivos têm de exteriorizar sentimentos", diz Kishikawa. "Eles preferem revelar uma notícia importante por meio de uma circular a falar pessoalmente com os funcionários."
PERDAS X GANHOS No kenjutso da era feudal, um samurai podia dar o braço para o adversário cortar -- e, no contra-ataque, aplicar o golpe fatal. "Na vida corporativa é igual", diz Kishikawa. "Às vezes, é melhor ter um prejuízo em um período, reestruturar a empresa e lucrar no futuro."