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01/11/1999 00:00

Um programa bilionário

Desde 1991, o programa brasileiro de privatizações rendeu 85 bilhões de dólares. Desse total, 26,5 bilhões foram arrecadados no ano passado, com a venda das companhias de energia elétrica e de telefonia. Trata-se do maior programa no gênero no mundo. A Inglaterra obteve 43 bilhões de dólares com o seu, o segundo maior. Detalhe: num prazo mais longo. Esse processo serviu para despertar novamente o interesse do capital estrangeiro pelo Brasil, riscado do mapa dos investimentos na década de 80. Até aqui, os capitalistas de fora entraram com 42,1% do valor das privatizações. É capital de risco que vem para ficar e que não costuma fugir ao primeiro sinal de crise. Pouca gente duvida dos benefícios das privatizações. Não custa relembrar mais dois. O primeiro: com a venda de suas empresas, o governo aumenta a arrecadação de impostos. Veja o caso da CSN. Em 1986, ano em que pagou mais imposto, ela recolheu aos cofres públicos 268 milhões de reais. No ano passado, 433 milhões. Outro: o governo transferiu aos novos donos a responsabilidade pelos fundos de pensões das antigas estatais. Com isso livrou-se de ter de cobrir rombos com recursos do Tesouro, aumentando o déficit público.

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