O divisor de águas que fará a Klabin voltar a exportar

Quantidade de celulose vendida cresceu 45% em relação ao volume de 2015, ajudando a companhia a obter uma receita de 2,2 bilhões de dólares

No terceiro trimestre de 2017, a Klabin, maior produtora de papéis do Brasil, começa a operar a plena capacidade sua unidade industrial em Ortigueira, no Para­ná, inaugurada em junho do ano pas­sado. Fruto de um investimento de 8,5 bilhões de reais, a fábrica de celulo­se é uma das maiores do mundo e quase dobrou o tamanho da Klabin, cuja capacidade de produção anual subiu de 2 milhões para 3,5 milhões de toneladas de matéria-prima.

Batizado de Projeto Puma, o empreendimento já teve um impacto positivo nos resultados da Klabin no ano passado. A quantidade de celulose vendida cresceu 45% em relação ao volume de 2015, ajudando a Klabin a obter uma receita de 2,2 bilhões de dólares, 15% superior à do ano anterior — a maior taxa de expansão do setor.

Os lucros atingiram 886 milhões de dólares, gerando um retorno de 34% sobre o patrimônio, também o melhor índice do setor. E isso é apenas o começo, segundo a empresa. “O resultado de 2016 foi um aperitivo do que esperamos em 2017”, diz Cristiano Teixeira, diretor-geral da Klabin, que assumiu o cargo após a saí­da de Fábio Schvartsman, no final de março.

Cristiano Teixeira (à frente), diretor-geral da Klabin, com os diretores Francisco Razzolini (à esq.) e Eduardo de Toledo: nova fábrica a plena capacidade | (Leandro Fonseca/EXAME)

O projeto Puma é considerado um divisor de águas para a Klabin. Além de ser a primeira fábrica no Brasil que produz, no mesmo local, celulose de fibra curta (de eucalipto), celulose de fibra longa (de pínus) e celulose fluff (usada em fraldas e absorventes), o empreendimento permitirá que a Klabin volte a exportar celulose.

Desde 2003, toda matéria-prima produzida pela companhia era transformada em papéis e não havia excedente. Agora, do 1,5 milhão de toneladas que serão produzidas em Ortigueira, 900 000 serão exportadas.

Além de ganhar mercado lá fora, a Klabin quer aumentar as vendas no mercado brasileiro, especialmente no segmento de celulose fluff, produto que, por ser usado na fabricação de itens de higiene pessoal, passa por rigorosa análise de qualidade.

“Nesse período curto de um ano, conseguimos vender a celulose fluff para grandes clientes brasileiros e já estamos exportando para 23 países”, diz Francisco Razzolini, diretor da unidade de celulose da Klabin. Entre os clientes estão fabricantes de bens de consumo, como Kimberly-Clark, Procter&Gamble e Johnson&Johnson.

Com a fábrica de Ortigueira operando a toda capacidade, a Klabin prevê que 2017 será mais um ano de crescimento, sobretudo com a recuperação dos preços da celulose no mercado internacional.

“A geração de caixa com o novo patamar de produção proporcionado pela fábrica em Ortigueira possibilitará uma queda constante no nosso nível de endividamento”, diz Teixeira.

No primeiro trimestre, a dívi­da líquida da Klabin estava em 11,4 bilhões de reais, o equivalente a 4,9 vezes o Ebitda (lucro antes de descontados juros, impostos, depreciação e amortização). A previsão da agência de classificação de risco Fitch é que, até o fim de 2017, a dívida líquida caia para quatro vezes a geração de caixa.

“Quando o endividamento atingir níveis aceitáveis, estaremos prontos para anunciar um novo ciclo de investimentos”, diz Teixeira.

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