São Paulo - O designer Erico Borgo, de 37 anos, e o publicitário Marcelo Forlani, de 38, podem passar horas falando sobre as maldades de Darth Vader em Star Wars ou o fnal de temporada de alguma série sobre zumbis — não só porque são apaixonados por vilões e mocinhos mas porque querem ganhar dinheiro com essas coisas.

Eles são fundadores da Omelete, que mantém um site de notícias sobre filmesséries e quadrinhos, tem participação em lojas virtuais e faz eventos. A especialidade da Omelete é criar conteúdo para quem adora cultura pop — classifcação que define toda obra que, ao ser reproduzida, conquista fãs pelo mundo.

Um exemplo é a trilogia O Senhor dos Anéis. Tudo começou com três livros, escritos pelo inglês J.R.R. Tolkien nos anos 50. Meio século depois, a história virou flme, e milhares de fãs até hoje discutem na internet de onde vem o poder do O Um Anel. Foram feitos jogos para video game e há até uma animação com peças de Lego.

No ano passado, a Omelete faturou 3 milhões de reais — e a expectativa dos sócios é dobrar de tamanho em 2013. Há pouco mais de três anos, a empresa começou a crescer mais velozmente ao diversifcar suas receitas. Em vez de vender apenas anúncios publicitários para o site, a Omelete passou a organizar eventos, como lançamentos de jogos e pré- -estreias de flmes.

Entre os novos clientes está a Citroën, que patrocina um festival de cinema. Uma vez por mês, um flme é exibido para cerca de 50 pessoas na loja-conceito da Citroën na rua Oscar Freire, em São Paulo. Em seguida, há um debate com os criadores da Omelete.

"Ações desse tipo servem para criar uma imagem positiva em torno de nossa marca", diz Alexander Greif, gerente de publicidade e propaganda da Citroën Brasil. Algumas das ideias para ampliar a atuação da Omelete surgiram depois que o investidor Pierre Mantovani se tornou sócio, em 2010.

Mantovani, ex-dono de uma agência de publicidade vendida em 2008 para a Digitas, do grupo francês de relações públicas Publicis, incentivou a entrada da Omelete no varejo online. Recentemente, a empresa adquiriu uma parte minoritária de duas lojas virtuais. 

Uma é a Mundo Geek, que vende artigos de decoração, roupas e acessórios com estampas de super-heróis e de personagens de flmes e séries. A outra é a Delapraka, importadora de eletrônicos. "As lojas vendem produtos que interessam aos visitantes do site e dos eventos", diz Mantovani.

A ideia de vender produtos e serviços para esse público faz sentido — seu poder aquisitivo permite comprar muitas novidades. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa que identifcou as tendências de consumo do mercado da Omelete. Quase 85% são pessoas de 17 a 36 anos, metade tem curso superior e mais de 40% recebem acima de cinco salários-mínimos por mês.

"A maioria ainda é solteira, vive em grandes cidades e costuma gastar boa parte do tempo e da renda com entretenimento", diz Borgo. Consumidores assim podem ser bem engajados. Poucos meses atrás, a Omelete recebeu uma enxurrada de críticas por soltar um spoiler no Facebook.

As reclamações vinham dos seguidores da série americana How I Meet Your Mother, que viram revelado antes da hora um segredo que tentavam descobrir há sete temporadas. (Está aí um segredo que Exame PME não pretende revelar.) "Às vezes levamos broncas de fãs descontentes", diz Forlani. "Eles levam entretenimento muito a sério."

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